O governo brasileiro colocou sua estrutura de apoio humanitário à disposição da Colômbia após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país andino na manhã desta segunda-feira, 10 de agosto. O tremor, registrado no departamento de Chocó, na costa do Pacífico, já deixou ao menos 69 mortos e um número ainda não consolidado de feridos, além de danos significativos em edifícios e infraestrutura urbana de diversas cidades colombianas. Até o início da tarde, o Itamaraty não havia recebido nenhuma notificação sobre brasileiros entre as vítimas.
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha com atenção os trabalhos de busca e assistência às populações atingidas e manifestou disposição de colaborar, dentro das capacidades do país, com as autoridades colombianas nas ações de resposta à emergência. A pasta também expressou profundo pesar pelas perdas humanas e materiais e fez votos de plena recuperação aos feridos, em uma mensagem de solidariedade direcionada ao governo e ao povo da Colômbia.
Solidariedade presidencial e articulação diplomática
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou sua conta na rede social X para manifestar preocupação com os efeitos do terremoto e prestar solidariedade em nome do povo brasileiro. Na mensagem, o chefe de Estado afirmou que o Brasil permanece à disposição do governo colombiano para prestar todo o apoio necessário, com menção especial às famílias das vítimas e a todos os afetados pelos tremores.
O gesto ocorre em um momento sensível das relações bilaterais. O novo presidente da Colômbia, Abelardo de La Espriella, tomou posse na sexta-feira, dia 7, e o terremoto se tornou seu primeiro grande desafio de gestão. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, chegou a viajar a Cali para representar Lula na cerimônia de posse, mas não se encontrou diretamente com Espriella, tendo sido recebido pelo vice-presidente José Manuel Restrepo e pelo ministro das Relações Exteriores colombiano, Omar Bula Escobar.
Impacto do tremor e áreas mais atingidas
O epicentro foi localizado em San José del Palmar, município do departamento de Chocó, a uma profundidade de 107 quilômetros. Apesar de a região ser pouco povoada, o tremor foi sentido com força nas principais cidades do país, incluindo Cali e Bogotá, onde houve prédios derrubados e danificados. Torres de igrejas desabaram, e ao menos seis aeroportos foram paralisados, principalmente na região do Eixo do Café.
De acordo com a Unidade Nacional de Gestão do Risco de Desastres, os locais mais afetados foram os municípios de Chocó, que registrou danos em nove localidades, seguido por Caldas, com oito municípios atingidos, Vale del Cauca e Risaralda, com dois cada, e Quindío, que teve vários municípios impactados. O governo colombiano mobilizou quatro grupos de brigadistas para atuar diretamente nas atividades de resgate.
Repercussão internacional e vizinhos atingidos
O abalo sísmico também foi sentido em países vizinhos, como Equador e Panamá, e chegou ao Brasil, com registro de prédios esvaziados em Manaus, no Amazonas. A dimensão regional do evento ampliou a necessidade de coordenação entre governos para o envio de ajuda humanitária e suporte logístico às áreas mais isoladas.
Além do Brasil, os governos dos Estados Unidos e do México também ofereceram ajuda às autoridades colombianas. A administração do presidente Donald Trump, que respalda politicamente Espriella, disse estar monitorando a situação provocada pelo terremoto e sinalizou disposição para cooperar nas ações de mitigação dos danos.
O governo colombiano já montou um gabinete de resposta na capital do país para centralizar as decisões sobre o atendimento emergencial, enquanto equipes de busca seguem trabalhando para localizar possíveis sobreviventes e contabilizar integralmente o número de vítimas. A destruição em áreas de difícil acesso, como a região de Chocó, impõe desafios logísticos adicionais às equipes de resgate e à distribuição de suprimentos básicos à população afetada.





