Bolsas europeias recuam pressionadas por juros e guerra EUA-Irã
Queda nas bolsas europeias com rendimentos de títulos e conflito no Oriente Médio

As bolsas europeias fecharam em queda nesta quarta-feira, 2 de setembro, pressionadas pelo avanço dos rendimentos dos títulos soberanos e pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,24%, aos 645,91 pontos, em um pregão marcado pelo receio inflacionário diante dos maiores custos de energia, embora petróleo e juros dos Treasuries tenham perdido força ao longo do dia.

Em Londres, o FTSE 100 caiu 0,3%, a 10.756,45 pontos. O DAX, de Frankfurt, recuou 0,49%, a 25.843,34 pontos. O CAC 40, de Paris, perdeu 0,26%, a 8.280,63 pontos.

Juros dos títulos e energia no radar

O Bund alemão de 10 anos alcançou a maior taxa desde 2011, enquanto o Gilt britânico de mesmo prazo atingiu máxima desde 2007. A alta dos juros dos títulos refletiu preocupações crescentes com sustentabilidade fiscal, mas a Allianz Research avaliou que os mercados de dívida continuam funcionando normalmente.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Andy Burnham reiterou compromisso com responsabilidade fiscal. O mercado também monitorou os desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã, com impacto sobre o petróleo. Para o Julius Baer, os fluxos de óleo e gás têm se mostrado “surpreendentemente resilientes” apesar da guerra.

Montadoras e ações em destaque

Em Frankfurt, o setor de montadoras caiu 0,9% e esteve entre as principais baixas do pregão. A Volkswagen recuou 3,1%, a Porsche cedeu 1,6% e a Zalando caiu cerca de 5,2%. Em Londres, a WPP perdeu 2,5%, em meio às incertezas sobre uma possível elevação de impostos sobre bancos no orçamento britânico.

Em Paris, a Michelin recuou 1,2%, a Publicis perdeu 0,5% e a Capgemini caiu 1,6%. Na direção oposta, L’Oréal avançou 1,7% e Accor subiu 1,3%.

Alerta do JP Morgan para o luxo

O setor de luxo terminou praticamente estável após o JP Morgan alertar para um terceiro trimestre mais fraco, diante de comparações mais difíceis e da volatilidade persistente na demanda chinesa.