As bolsas europeias fecharam em queda nesta quarta-feira (9), pressionadas pela nova escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e pelo avanço do petróleo e do gás natural, que reforçaram temores de inflação persistente e juros elevados por mais tempo na zona do euro. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 1,41%, aos 640,41 pontos, no menor nível desde o final de julho.

Em Londres, o FTSE 100 caiu 1,31%, aos 10.670,06 pontos. Em Frankfurt, o DAX fechou em baixa de 1,66%, aos 25.576,45 pontos. Em Paris, o CAC 40 recuou 1,94%, aos 8.156,67 pontos.

Petróleo e gás pressionam inflação e juros

Com o agravamento do cenário geopolítico no Oriente Médio, o barril do petróleo Brent voltou a superar US$ 100, elevando os receios do mercado sobre o impacto da energia nos preços ao consumidor. A leitura ganha ainda mais relevância na véspera da decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), marcada para esta quinta-feira (10).

Para Kiran Ganesh, diretor-gerente e chefe global de comunicações de investimento do UBS, o petróleo é o principal fator de pressão sobre as bolsas. Segundo ele, preços mais altos da commodity implicam expectativas de inflação mais elevadas e maiores chances de aumentos nas taxas de juros, além de rendimentos mais altos dos títulos. Ganesh acrescentou que o movimento vem causando impacto negativo cumulativo sobre as ações nos últimos dias.

O ING avaliou que os novos ataques afastam uma retomada das negociações entre Washington e Teerã, ampliando os temores inflacionários no continente. Já o Deutsche Bank alertou que o choque de energia, somado à seca e às ondas de calor, tende a pressionar a inflação de alimentos nos próximos trimestres.

Diante desse cenário, o mercado passou a precificar praticamente uma alta de 25 pontos-base na reunião do BCE, o que levaria a taxa de depósito para 2,5%.

Bancos lideram perdas enquanto energia sobe

Entre os destaques corporativos, os bancos estiveram entre os principais focos de pressão. O setor fechou em queda de 1,77%, diante do salto do petróleo e do gás e dos receios de maior tributação sobre as instituições financeiras na Europa. O Santander recuou 1,11%, o BNP Paribas perdeu cerca de 1,87% e o HSBC cedeu perto de 2%.

O setor de energia foi o único a fechar em território positivo, com alta de 0,3%, enquanto todos os demais principais setores registraram queda. O índice de volatilidade Euro Stoxx subiu 2,17 pontos, atingindo o maior nível em uma semana, em mais um sinal do aumento da aversão a risco entre os investidores.