Os principais índices de Wall Street encerraram a sessão desta terça-feira, 11, em campo negativo, em um pregão marcado pelo avanço do petróleo e pela postura defensiva dos investidores antes da divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos. O Dow Jones cedeu 0,34%, aos 53.791,97 pontos; o S&P 500 recuou 0,32%, aos 7.728,11 pontos; e o Nasdaq perdeu 0,60%, aos 26.445,45 pontos. O comportamento dos três benchmarks refletiu a combinação de impasse no Oriente Médio e expectativa em torno da inflação americana, dois fatores que devem seguir no radar do mercado nos próximos dias.

Petróleo e tensão geopolítica mantêm pressão sobre os ativos

A nova alta do petróleo voltou a dominar o noticiário financeiro. O impasse no Oriente Médio manteve o preço da commodity em trajetória de avanço, reforçando a cautela dos investidores em relação ao impacto da energia mais cara sobre a inflação e, consequentemente, sobre os próximos passos do Federal Reserve. Em um contexto como esse, a tendência natural das bolsas é operar com volatilidade e com maior seletividade setorial.

Essa leitura se refletiu na composição do fechamento: o Nasdaq, mais sensível à perspectiva de juros e ao desempenho de empresas de crescimento, foi o índice com a maior queda do dia. O Dow Jones e o S&P 500 também fecharam no vermelho, com perdas mais contidas, em um dia de movimentação ampla na bolsa americana.

CPI de julho e a equação do Bank of America para o Fed

A aproximação dos dados de inflação ao consumidor nos Estados Unidos elevou o grau de atenção do mercado. O Bank of America Securities resumiu em uma equação os dois cenários que podem orientar a próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). Se o CPI de julho vier forte, um aumento de juros em setembro volta a entrar na pauta, mas os dados de agosto continuam sendo fundamentais para a decisão. Se o índice vier fraco, a elevação em setembro sai do horizonte e cresce a exigência de uma alta até o fim do ano.

Essa leitura mostra que a autoridade monetária americana segue no centro das projeções do mercado, com a inflação ainda dominando o debate sobre o rumo dos juros. O desenho traçado pelo Bank of America Securities reforça a percepção de que o CPI de julho não será apenas mais um dado econômico, mas um elemento capaz de alterar a política monetária nos próximos meses.

Diante desse cenário, investidores preferiram aguardar a divulgação do indicador antes de aumentar posições em ativos de risco. A postura mais contida foi determinante para o tom negativo do pregão, sobretudo nos setores de tecnologia e nas companhias de maior sensibilidade à trajetória das taxas.

Destaques corporativos: ofertas, balanços e contrato bilionário

Na frente corporativa, a Intel fechou em alta de 0,19%, revertendo o movimento de queda do início da sessão, depois de ampliar sua oferta de ações de US$ 15 bilhões para US$ 20 bilhões. A operação atraiu atenção pelo volume expressivo e ajudou a sustentar o papel no positivo, mesmo em um dia de aversão ao risco.

A Trump Media & Technology, por sua vez, encerrou com baixa de 5,11%, após reportar um prejuízo no segundo trimestre dez vezes maior que o do período anterior. No mesmo dia, a Super Micro Computer subiu 0,45%, estendendo os ganhos da véspera em meio à expectativa para a divulgação de seus números após o fechamento do mercado.

Outro movimento relevante partiu da Riot Platforms, que avançou 4,3% depois de confirmar a assinatura de um contrato de US$ 9,1 bilhões com uma empresa de inteligência artificial de ponta. A cliente é a Anthropic, conforme confirmou uma fonte a par do assunto. A companhia, que deixou de atuar apenas com mineração de Bitcoin para operar também centros de dados, capitaliza a migração para infraestrutura de IA. Já a Rapid7, de cibersegurança gerenciada com tecnologia de IA, saltou 15,3% após apresentar os resultados do segundo trimestre.

JPMorgan rebaixa recomendação para o Brasil na América Latina

Em meio ao movimento de cautela global, o JPMorgan rebaixou as ações brasileiras para neutro dentro da sua alocação para a América Latina. A decisão acrescentou um elemento de pressão adicional ao noticiário regional e reforçou o tom defensivo adotado por bancos internacionais em relação a mercados emergentes.

O ajuste da classificação acontece em um cenário de aversão ao risco no exterior, com o petróleo em alta e as discussões sobre o rumo dos juros americanos seguindo no radar dos investidores. A mudança foi incorporada ao movimento do mercado nesta terça-feira, sem deixar de lado a percepção de que o Brasil segue como uma das praças mais relevantes da região.

Perdas relevantes e dados econômicos em segundo plano

No ranking das baixas mais expressivas, Applovin, Datadog e Honeywell lideraram as perdas percentuais do pregão, todas com retrações superiores a 5%. A Honeywell caiu 5,4%, registrando a maior baixa porcentual do Dow Jones, seguida pela Alphabet, que recuou 3,8%.

Do lado macroeconômico, as vendas de imóveis usados em julho nos Estados Unidos recuaram em ritmo próximo ao esperado pelos analistas. A leitura foi tratada como neutra para as ações e não alterou de forma relevante a trajetória dos índices ao longo da sessão. O foco permanece no CPI, que pode dar a direção do exterior e da política monetária americana nas próximas semanas.