
Após três pregões consecutivos de perdas, as bolsas de Nova York encontraram espaço para respirar na quarta-feira (02/09). O Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq fecharam no campo positivo, em uma sessão que combinou compras seletivas de setores castigados pela recente aversão a risco e a continuidade da alta dos juros dos títulos públicos globais.
O Russell 2000, que reúne companhias de menor capitalização, liderou o movimento e avançou 1,1%, superando o desempenho dos índices de blue chips. Com a queda recente, gestores voltaram a procurar ações e segmentos que possam ter sido vendidos em excesso, o que ajudou a destravar o fluxo comprador no meio da semana.
Recuperação se espalha por setores e small caps assumem o comando
Na sessão, companhias aéreas, mineradoras de ouro e prata e bancos regionais apareceram entre os principais ganhos. No lado oposto, o segmento de software e serviços voltou a exibir desempenho mais fraco, uma vez que segue no radar das possíveis disrupções provocadas pela inteligência artificial. Dos 11 grandes grupos do S&P 500, o de materiais registrou a maior alta percentual do dia; o imobiliário foi o único com variação negativa.
O Dow Jones Industrial Average encerrou aos 53.061,89 pontos, com ganho de 0,56%. O S&P 500 ficou em 7.666,63 pontos, uma valorização de 0,46%, e o Nasdaq Composite anotou 26.217,83 pontos, após alta de 0,45%.
Semicondutores reagem e Broadcom entra no radar pós-pregão
O índice Philadelphia SE Semiconductor, que ajudou a impulsionar o mercado acionário no primeiro semestre e depois perdeu quase um quarto do valor desde o fim de junho, voltou a apresentar alta. A recuperação veio acompanhada por ganhos relevantes entre os principais fabricantes de chips.
Nvidia subiu 3,2%, enquanto Micron avançou 2,4% e Qualcomm ganhou 2,0%. A sessão também teve clima de expectativa para o balanço do segundo trimestre da Broadcom, que seria apresentado após o fechamento do mercado.
Resultados corporativos agitam Dell, Brown-Forman e Uber
A Dell saltou 15,8% na esteira da elevação das projeções anuais de lucro e receita. Já a Brown-Forman, companhia de bebidas, subiu 3,9% depois que seus lucros trimestrais vieram acima do esperado.
A Uber avançou 1,6% após comunicar a intenção de cortar cerca de 10% do quadro de funcionários. O movimento ocorreu em um dia de apetite por risco e ajudou a manter o tom positivo entre os papéis ligados a tecnologia e consumo.
Juros globais e tensão no Oriente Médio continuam como pano de fundo
A despeito do alívio no curto prazo, o mercado de renda fixa global manteve-se pressionado. A venda de títulos, alimentada pelas preocupações com inflação e com o estoque crescente de dívida pública, ganhou novo impulso com a escalada no Oriente Médio. Estados Unidos e Irã protagonizaram a maior troca de ataques aéreos desde julho, o que frustrou a expectativa de retorno às negociações e reforçou o risco de pressão adicional sobre os preços de energia.
Na avaliação de Lauren Cassidy, diretora de investimentos da Founders 100 ETF, em Dallas, a guerra está se prolongando mais do que qualquer um previa, mas a eventual acomodação dos preços de energia tende a reduzir o peso da inflação. Ela também destacou que a atual temporada de resultados foi recorde, com fundamentos sólidos e adoção acelerada da inteligência artificial, processo que, na visão dela, ainda está em estágio inicial e pode gerar crescimento exponencial. Do lado negativo, hostilidades prolongadas elevam a chance de inflação sistêmica e de aumento dos custos de empréstimos pelos bancos centrais.
Emprego e encomendas nos EUA acendem alerta sobre ritmo da atividade
Os sinais vindos da economia americana também pedem atenção. A consultoria ADP informou que a criação de vagas no setor privado em agosto ficou aquém do esperado, enquanto as novas encomendas de bens de capital essenciais foram revisadas para baixo, uma combinação que aponta para uma possível moderação nos gastos das empresas.
Para a sessão de quinta-feira, o calendário reserva dados de comércio internacional, custos da mão de obra, produtividade do segundo trimestre e o PMI de serviços, que poderão oferecer novas pistas aos investidores sobre a trajetória da maior economia do mundo.





