
O mercado de criptomoedas enfrentou uma sexta-feira de forte pressão vendedora, com o Bitcoin (BTC) rompendo o suporte psicológico dos US$ 60 mil e tocando o menor patamar desde outubro de 2024. O movimento intensificou as perdas acumuladas na semana, que já ultrapassam 18%, em meio a uma combinação de saídas recordes de ETFs de bitcoin e dados macroeconômicos adversos nos Estados Unidos.
Segundo dados do Coin Metrics, o Bitcoin foi negociado a US$ 60.450,00 por volta das 7h41 (horário de Brasília), após atingir uma mínima intradiária de US$ 59.764,90 — nível não visto desde outubro do ano passado. O recuo representa uma queda de mais de 50% em relação ao recorde histórico de aproximadamente US$ 126 mil alcançado em outubro de 2025.
Análise do movimento de queda
O movimento de baixa foi desencadeado por uma venda modesta, mas simbólica, de Bitcoin realizada pela Strategy (ex-MicroStrategy), empresa fundada por Michael Saylor. Embora o montante tenha sido pequeno em relação ao total de suas reservas, a decisão de vender pesou sobre o sentimento dos investidores e desencadeou liquidações forçadas de posições alavancadas, que somaram centenas de milhões de dólares, ampliando a pressão vendedora.
A queda foi agravada pelo relatório de empregos dos EUA (payroll) de maio, que veio acima das expectativas, impulsionando os rendimentos dos títulos do Tesouro e reduzindo o apetite por ativos de risco, como as criptomoedas. O Bitcoin, que já vinha fragilizado por 13 sessões consecutivas de saídas dos ETFs à vista, perdeu o suporte dos US$ 60 mil e acelerou o declínio.
Charles-Henry Monchau, diretor de investimentos do Syz Group, destacou que a criptomoeda está ‘mais de 50% abaixo de sua máxima histórica’, reforçando o viés negativo de curto prazo. O nível de US$ 60 mil, antes visto como piso psicológico, agora se torna uma resistência a ser superada para uma recuperação.
Impacto nas ações de empresas do setor
O movimento de baixa do Bitcoin arrastou as ações das principais empresas expostas ao setor. A Strategy, que possui a maior reserva corporativa de bitcoin do mundo, registrou queda de aproximadamente 11% no pregão de sexta-feira e acumula perda de 27% na semana, caminhando para o pior desempenho semanal desde novembro de 2022. A Coinbase, maior exchange de criptomoedas dos EUA, também sofreu forte pressão, com as ações no caminho de uma perda semanal de 21%, o que seria a pior semana desde fevereiro de 2023.
O desempenho dessas ações reflete a correlação direta com o preço do Bitcoin e a percepção de que o ciclo de alta pode ter se esgotado temporariamente. A venda da Strategy, ainda que pontual, gerou ruído no mercado e levantou questionamentos sobre a estratégia de tesouraria baseada em bitcoin, que até então era vista como um pilar de valorização.
Contexto macroeconômico e fluxo de ETFs
O ambiente macroeconômico também pesou sobre o Bitcoin. O payroll de maio veio mais forte do que o esperado, indicando resiliência do mercado de trabalho americano e alimentando expectativas de que o Federal Reserve (Fed) possa manter juros elevados por mais tempo. Isso fortaleceu o dólar e os rendimentos dos títulos, drenando liquidez de ativos especulativos. O Bitcoin, frequentemente comparado a um ativo de risco, sofreu com o movimento de aversão ao risco. Veja mais análises de macroeconomia.
Paralelamente, os ETFs de bitcoin à vista registraram 13 dias consecutivos de saídas líquidas, a mais longa sequência desde o lançamento desses produtos nos EUA. Apenas na quinta-feira, o fluxo foi ligeiramente positivo, com entrada de US$ 3 milhões, interrompendo momentaneamente o êxodo. No entanto, o alívio foi tímido e não foi suficiente para reverter a tendência de baixa.





