
Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul finalmente avança para a etapa prática. O movimento marca um ponto de virada para o agronegócio brasileiro, ao ampliar o acesso a mercados desenvolvidos, aumentar a previsibilidade das exportações e reforçar a importância de eficiência e escala no setor.
O impacto vai além do comércio exterior. O acordo cria um novo ambiente competitivo que tende a influenciar decisões de investimento, modernização das cadeias produtivas e a forma como o capital passa a enxergar o agro brasileiro.
O que muda com o acordo entre União Europeia e Mercosul
O acordo estabelece regras mais claras para o fluxo comercial entre os blocos e prevê a redução gradual de tarifas sobre uma parcela relevante dos produtos negociados. Isso fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor estratégico de alimentos e insumos agrícolas para um dos maiores mercados consumidores do mundo.
Mesmo com cotas, exceções e mecanismos de proteção previstos, o novo cenário traz mais estabilidade para exportadores e melhora o planejamento de médio e longo prazo do setor.
Os principais ganhos para o agronegócio
O avanço mais relevante está na consolidação do acesso ao mercado europeu. Produtos do agronegócio passam a contar com condições comerciais mais favoráveis, o que tende a melhorar preços, contratos e previsibilidade de demanda.
Esse ambiente favorece empresas mais estruturadas, com capacidade de atender padrões internacionais e operar com eficiência operacional e escala.
Produção organizada ganha vantagem competitiva
O acordo também reforça a valorização da produção regular, rastreável e em conformidade com exigências ambientais e fundiárias. Na prática, quem já investiu em governança, tecnologia e integração com cadeias industriais passa a ter vantagem competitiva clara.
Esse movimento acelera a profissionalização do setor e amplia a diferença entre produtores organizados e aqueles que ainda operam de forma menos estruturada.
Competitividade vai além das exportações
Mesmo empresas que não exportam diretamente podem se beneficiar. A maior integração com a União Europeia tende a estimular investimentos, reduzir custos de máquinas, insumos e tecnologia, além de impulsionar inovação e modernização das cadeias produtivas.
O efeito esperado é um ganho gradual de produtividade e eficiência no campo, com impactos positivos sobre margens e rentabilidade no médio prazo.
Pontos de atenção no curto prazo
Apesar do avanço, os benefícios não são automáticos. A efetividade do acordo depende da capacidade do Brasil de ampliar a rastreabilidade, acelerar processos regulatórios e coordenar políticas públicas que evitem a exclusão de pequenos e médios produtores.
Além disso, mecanismos de salvaguarda previstos no acordo podem tornar o crescimento das exportações mais gradual em alguns segmentos, exigindo acompanhamento constante do setor.
Como o investidor pode se expor ao agronegócio
Com o novo cenário, o agronegócio reforça sua tese estrutural de longo prazo. O setor ganha previsibilidade, acesso a mercados desenvolvidos e estímulo à eficiência — fatores que tendem a fortalecer empresas listadas e veículos de investimento ligados ao agro.
Para quem busca exposição ao setor sem assumir os riscos de escolher ações isoladas, os ETFs surgem como alternativa prática e diversificada.
Nesse contexto, um dos destaques é o BB ETF IAGRO-FFS (AGRI11), negociado na B3, que permite ao investidor acompanhar o desempenho de uma cesta de empresas ligadas ao agronegócio de forma simples e transparente.
“Para quem quer investir no agronegócio, o ETF AGRI11 é uma forma mais eficiente de capturar o crescimento do setor do que comprar ações isoladas”, afirma Fábio Murad, CEO da SpaceMoney.
O acordo entre União Europeia e Mercosul não elimina os desafios históricos do agro brasileiro, mas eleva o setor a um novo patamar de competitividade. Para produtores, empresas e investidores, o foco agora passa a ser adaptação, eficiência e visão de longo prazo.