O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (16) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com vigência a partir de 22 de julho de 2026. A medida, formalizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), é resultado de uma investigação que apontou práticas brasileiras consideradas injustificáveis e discriminatórias contra agricultores, trabalhadores e inovadores americanos. A decisão de Donald Trump abrange argumentos que vão muito além do campo puramente comercial, incluindo questões como o sistema de pagamentos Pix, o combate à corrupção e até o desmatamento na Amazônia.
Os argumentos do USTR contra o Brasil
Entre os fatores listados pelo USTR, o sistema Pix foi citado como um instrumento que desfavorece provedores de serviços de pagamento dos Estados Unidos, enquanto o Banco Central brasileiro privilegia sua plataforma nacional. O órgão também mencionou o agravamento da percepção de corrupção, usando o Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional, no qual o Brasil pontuou apenas 35 de 100 pontos, sinalizando um afastamento das normas globais de combate a suborno e corrupção.
As ações do Supremo Tribunal Federal (STF) contra big techs também entraram no balaio comercial. O USTR relembrou ordens de bloqueio contra o Rumble e a suspensão temporária do X (antigo Twitter), classificando tais medidas como restrições ao comércio digital. Na área tarifária, o governo americano acusou o Brasil de adotar tratamento preferencial a México e Índia, em detrimento dos EUA, e de não oferecer proteção adequada à propriedade intelectual, sem detalhar as falhas específicas.
No setor de etanol, a queixa recai sobre a descontinuação de um tratamento tarifário equilibrado, com o Brasil elevando suas tarifas enquanto os EUA mantinham as suas. Por fim, o desmatamento foi utilizado como argumento ambiental: o USTR apresentou um infográfico (sem fonte) mostrando a perda de floresta entre 2001 e 2018, afirmando que isso dificulta a competição da indústria madeireira norte-americana no mercado global.
Reação do governo brasileiro e perspectivas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudiou a nova tarifa e anunciou que acionará a Lei de Reciprocidade Econômica, instrumento que permite ao Brasil retaliar na mesma proporção. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, havia acusado o governo Lula de não negociar de boa-fé, o que reforça o tom político da medida. Você pode acompanhar os desdobramentos e as principais notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney.
Especialistas apontam que o tarifaço pode desencadear uma escalada protecionista entre os dois países, afetando setores como agronegócio, manufatura e tecnologia. A entrada em vigor em 22 de julho dá margem para negociações de última hora, mas o clima de tensão comercial deve perdurar. O mercado financeiro brasileiro reagiu negativamente, com o real se desvalorizando frente ao dólar e ações de empresas exportadoras em queda.





