A Energisa pretende se firmar como uma empresa de serviços múltiplos de energia e enxerga no gás natural um caminho de crescimento, segundo reportagem de Luciano Costa no Brazil Journal. O presidente da área de gás do grupo, Fabio Bertollo, afirmou ao veículo que o segmento tem potencial para avançar tanto de forma orgânica quanto por meio de aquisições.
Com origem na distribuição de eletricidade e controlada pela família Botelho, a companhia comprou a ES Gás, concessionária do Espírito Santo, em 2023, e no ano seguinte ficou com 51% da Norgás, que opera em Alagoas, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. O modelo perseguido é o de grupos europeus e americanos que atuam ao mesmo tempo com eletricidade e gás.
O espaço para expansão é amplo: no Espírito Santo, 94% da população segue sem acesso à rede canalizada, percentual que chega a 97% nos estados atendidos pela Norgás. Em três anos, a ES Gás elevou sua carteira de clientes em 28%, para 100 mil, enquanto a Norgás registrou alta de 16,5% em dois anos, alcançando 282 mil consumidores.
Outro vetor apontado pela empresa são as usinas térmicas a gás. O leilão realizado em março para contratar esses empreendimentos deve render R$ 367 milhões em VPL à Energisa, considerando os projetos ligados às suas duas distribuidoras. A avaliação do executivo é que certames desse tipo devem se repetir nos próximos anos.
Data centers aparecem como fonte adicional de demanda. O Redata, programa federal de incentivos ao setor, teve o texto aprovado no Senado ampliado para fontes consideradas de baixa emissão, o que inclui o gás natural, ainda que o lobby das renováveis pressione por restrições na regulamentação. Para Bertollo, as térmicas são uma fonte firme para esses empreendimentos. A divisão de gás ainda investe em biometano, com uma planta em Santa Catarina e outra em conclusão no Paraná.





