A safra de soja 2026/27 no Brasil pode atingir um recorde histórico de 180,1 milhões de toneladas, segundo estimativas da Safras & Mercado. O volume representa um incremento de 0,98% em relação ao ciclo anterior, mas o fenômeno El Niño surge como principal fator de incerteza, podendo comprometer a produtividade nas principais regiões produtoras. O plantio está previsto para começar em meados de setembro, com área cultivada estimada em 49,1 milhões de hectares, alta de 1,2% sobre a safra passada. Você pode acompanhar os desdobramentos e as principais notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney.

Projeções para a safra 2026/27

De acordo com a consultoria, a expansão da área plantada é impulsionada pela maior atratividade da soja em relação ao milho na safra de verão do Centro-Sul. Apesar do crescimento modesto da área, a produção recorde é viabilizada por colheitas anteriores bem-sucedidas, que melhoraram a relação custo-benefício do cultivo. O analista Rafael Silveira destacou que, embora as margens de lucro estejam mais apertadas, o plantio continua economicamente viável.

A produtividade média projetada é de 3.686 quilos por hectare, ligeiramente inferior aos 3.692 quilos por hectare registrados no ciclo anterior. Essa leve queda reflete as condições climáticas adversas esperadas e o aumento dos custos de insumos, especialmente fertilizantes, que tiveram alta no primeiro semestre de 2026.

Efeitos do El Niño na produtividade

O El Niño, fenômeno climático que altera o regime de chuvas e temperaturas, representa a maior ameaça à safra recorde. Os meses críticos para a formação dos grãos podem ser afetados, reduzindo a produtividade caso o fenômeno se intensifique. Silveira alertou que a consultoria já trabalha com estimativas de rendimento abaixo do potencial máximo em grande parte das regiões produtoras.

Se confirmado um El Niño severo, os impactos podem ser significativos, comprometendo a florada e o enchimento dos grãos. A safra recorde depende, portanto, de condições climáticas favoráveis nos próximos meses.

Custos de produção e margens dos produtores

Além do clima, os custos de produção preocupam. A alta dos fertilizantes no primeiro semestre elevou os gastos dos agricultores, que podem reduzir investimentos em tecnologia e manejo como medida de contenção. Isso tende a limitar o potencial produtivo, mesmo com a área ampliada.

Apesar das margens mais estreitas, a viabilidade econômica da soja permanece sustentada pelo bom desempenho das últimas safras. A expansão da área plantada, ainda que modesta, sinaliza confiança no setor, mas o equilíbrio entre custos e receitas continuará sendo monitorado de perto pelos produtores.