Os contratos de minidólar com vencimento em outubro (WDOV26) encerraram a sessão de 10 de setembro praticamente estáveis, com leve recuo de 0,01%, aos 5.127 pontos. O pregão foi marcado pela disputa entre o alívio doméstico trazido pelo cenário eleitoral brasileiro e a pressão externa originada dos Estados Unidos, combinação que manteve o derivativo em uma região de definição técnica.
No mercado à vista, o dólar recuou 0,20%, a R$ 5,1013, em movimento contrário ao observado no exterior. O recuo veio após levantamento do AtlasIntel mostrar Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula na corrida presidencial, embora os dois permaneçam tecnicamente empatados. O mesmo fator impulsionou o Ibovespa, que virou de queda para alta superior a 1%.
Lá fora, o cenário foi adverso ao real. O dólar ganhou força com o avanço dos Treasuries e a alta do petróleo Brent acima de US$ 105, depois de o índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos subir 0,4%. A crise no Supremo Tribunal Federal e as operações cambiais do Banco Central também seguiam no radar dos operadores.
Cenário eleitoral e o alívio temporário no câmbio
A pesquisa AtlasIntel colocou Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula, ainda que o quadro permaneça de empate técnico entre os dois pré-candidatos. Para o mercado de câmbio, o dado foi lido como sinal de menor prêmio de risco embutido nos preços, o que abriu espaço para realização de lucros por parte de posições compradas em dólar.
O efeito foi sentido também na renda variável, com o Ibovespa revertendo o movimento negativo e fechando acima de 1% de ganho. A sessão, no entanto, deixou claro que o alívio tem prazo de validade curto: novas pesquisas e os desdobramentos da crise institucional no STF devem continuar a influenciar o humor dos investidores.
Pressão externa: PPI, Treasuries e petróleo
O índice de preços ao produtor dos Estados Unidos avançou 0,4%, reforçando a percepção de que a inflação americana ainda não dá trégua. O dado impulsionou os rendimentos dos Treasuries e deu sustentação à valorização global do dólar, movimento que colocou o real na contramão da maioria das moedas.
O petróleo completou o quadro de pressão externa. O Brent superou a marca de US$ 105, o que tende a reacender preocupações com custos de energia e com a trajetória da inflação global. A combinação de juros norte-americanos mais altos e commodities em alta costuma reduzir o apetite por ativos de risco em mercados emergentes.
Análise técnica: o gráfico de 15 minutos
No intervalo de 15 minutos, o minidólar encerrou a sessão com fluxo vendedor leve e muito próximo da estabilidade, terminando entre as médias móveis de 9 e 21 períodos. A configuração evidencia equilíbrio entre compradores e vendedores e mantém o contrato em uma zona de indefinição.
Para o movimento de baixa ganhar tração, será necessária a entrada de volume vendedor suficiente para romper o suporte em 5.120/5.108. A perda desse intervalo pode levar o preço até 5.097,5/5.082 e, na sequência, à região de 5.065,5/5.052.
No sentido oposto, uma retomada depende da entrada de fluxo comprador e da superação da resistência em 5.137/5.159,5. Acima dessa faixa, o contrato pode buscar 5.171/5.199, com objetivo mais longo na região de 5.224/5.235,5.
Gráfico de 60 minutos mantém ausência de direção
Na leitura de 60 minutos, o minidólar também encerrou com leve fluxo negativo e permanece entre as médias móveis de 9 e 21 períodos, repetindo o padrão de ausência de direção consolidada observado no intervalo mais curto.
Para retomar a alta, o contrato precisa superar inicialmente a resistência em 5.137/5.171. Acima dessa faixa, a recuperação ganha consistência com o rompimento de 5.194,5, abrindo caminho para 5.224/5.257,5. Se o fluxo comprador se intensificar, os objetivos seguintes ficam em 5.277 e, no movimento mais longo, em 5.307.
Para ampliar a queda, o suporte a ser monitorado está em 5.097,5/5.065. A perda dessa região pode fortalecer o fluxo vendedor em direção a 5.050/4.998, com alvos mais distantes em 4.967/4.946.
Gráfico diário e o IFR em 40,23
No gráfico diário, o minidólar registrou leve baixa e segue abaixo das médias móveis. A configuração preserva uma estrutura técnica fragilizada e mantém aberto o potencial para continuidade das quedas.
Para retomar o movimento de alta, o contrato precisa superar a região formada pelas médias e pelas resistências em 5.198/5.235,5. Confirmado o rompimento, o ativo pode avançar em direção a 5.277/5.342.
Para prolongar o fluxo de baixa, o acompanhamento se concentra no suporte em 5.097,5/5.052. A perda dessa faixa pode intensificar a pressão vendedora e levar o minidólar inicialmente até 4.980/4.946. O IFR de 14 períodos está em 40,23, ainda em zona neutra e sem sinalizar sobrevenda.
O que monitorar na próxima sessão
Para os traders de minidólar, o foco segue na disputa entre o efeito favorável do cenário eleitoral sobre o real e a pressão externa provocada pelo petróleo, pelos juros norte-americanos e pela valorização global do dólar.
Novas pesquisas eleitorais, os desdobramentos da crise institucional e a reação dos mercados aos dados dos Estados Unidos devem indicar se a pressão vendedora continua ou se o contrato encontra espaço para recuperação.





