
O dólar à vista operava em queda de 0,25%, cotado a R$ 4,9616, por volta das 10h47 desta quarta-feira (22), mesmo diante de um ambiente externo carregado de incertezas — incluindo o frágil cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e novos ataques a navios no Estreito de Hormuz. Apesar do ruído geopolítico, grandes bancos e corretoras avaliam que há espaço para o real continuar se valorizando.
Ambiente externo pesa, mas real resiste
O cenário internacional segue tenso. O cessar-fogo entre EUA e Irã não transmite solidez: há dúvidas concretas sobre a disposição iraniana de retornar à mesa de negociação. Ataques a embarcações no Estreito de Hormuz elevam o prêmio de risco global e pressionam commodities energéticas.
Ainda assim, o dólar não encontrou tração para subir. A moeda americana opera próxima ao menor patamar recente frente ao real, sinalizando que fatores domésticos e o fluxo de capital para emergentes compensam o nervosismo externo.
Bancão e corretoras enxergam tendência de baixa
Analistas de grandes instituições financeiras brasileiras — tanto bancos de primeira linha quanto corretoras — apontam que a queda do dólar não é um movimento isolado. Para esse grupo, a tendência tem fundamentos.
Fatores que sustentam a visão baixista
Entre os argumentos apresentados estão o diferencial de juros favorável ao Brasil, com a Selic em patamar elevado atraindo capital estrangeiro para ativos de renda fixa, e a melhora relativa do balanço de pagamentos. O fluxo de exportações do agronegócio também contribui com oferta de divisas no mercado à vista.
Nível técnico monitorado
O patamar de R$ 4,96 é acompanhado de perto por mesas de operação. Uma ruptura consistente abaixo de R$ 4,95 poderia abrir espaço para o dólar testar suportes mais baixos no curto prazo, segundo analistas técnicos ouvidos pelo mercado.
Geopolítica como variável de risco
O principal fator de reversão segue sendo externo. Uma escalada no conflito no Oriente Médio, com fechamento ou bloqueio efetivo do Estreito de Hormuz, mudaria rapidamente o apetite por risco global. Nesse cenário, moedas emergentes seriam as primeiras a sofrer pressão vendedora.
Por ora, o mercado precifica esse risco como contido. O comportamento do dólar nesta sessão reflete essa leitura — cautela, mas sem fuga de ativos de risco. Analistas seguem monitorando os desdobramentos das negociações entre Washington e Teerã como o principal gatilho para qualquer reversão do movimento. Acompanhe mais análises de macroeconomia na SpaceMoney.





