O dólar à vista sobe nesta quarta-feira (9), com o real registrando um dos piores desempenhos do dia, em um pregão marcado pela cautela externa após os preços do petróleo voltarem a superar US$ 100 e pelos desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Por volta das 13h20, a moeda norte-americana avançava 0,41%, a R$ 5,1063, depois de oscilar entre a mínima de R$ 5,0811 e a máxima de R$ 5,1133.

Pela manhã, o movimento era mais contido. Às 11h33, o dólar à vista subia 0,27%, a R$ 5,099 na venda, enquanto o dólar futuro para outubro, atualmente o mais negociado na B3, avançava 0,03%, a R$ 5,114. Na véspera, a moeda à vista havia fechado em baixa de 0,79%, a R$ 5,0892.

No exterior, o dólar recuava ante a maior parte das divisas, e o índice DXY, que compara a moeda americana a uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, mostrava variação positiva de 0,02%, aos 98,809 pontos. O euro comercial subia 0,36%, a R$ 5,9326.

Petróleo acima de US$ 100 mantém cautela global

No cenário internacional, os preços do petróleo voltaram a superar US$ 100 pela primeira vez desde julho, alimentando a cautela dos investidores e mantendo o risco global no centro das atenções.

O economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, disse que o cenário atual reúne forças em direções opostas para os ativos brasileiros. “A reprecificação eleitoral pode favorecer a Bolsa, o real e os juros domésticos por meio da expectativa de mudanças na condução da política econômica. Por outro lado, a escalada geopolítica, a alta do petróleo e a pressão sobre os juros internacionais podem limitar esse movimento e manter elevada a volatilidade”, afirmou.

Crise no STF no radar doméstico

Em Brasília, a crise no STF ganhou novos contornos nesta quarta-feira. O ministro Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada à diretoria de Inteligência da corporação. A decisão reverte o afastamento determinado pelo ministro André Mendonça.

O noticiário político também passou a incorporar novos dados eleitorais. Pesquisa Meio/Ideia mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é desaprovado por 48,4% do eleitorado, enquanto 46,5% aprovam o petista. Para Cristiano Oliveira, o noticiário eleitoral pode sustentar desempenho relativamente mais favorável dos ativos brasileiros no curto prazo, ainda que o ambiente externo mantenha a volatilidade.