O dólar à vista operava em leve queda no início da tarde desta quinta-feira, recuando 0,17% e sendo cotado a R$ 5,103 na venda, às 14h57, em movimento que contraria a tendência internacional de valorização da moeda americana. O dólar comercial marcava R$ 5,103 para compra e R$ 5,104 para venda, enquanto o contrato futuro para outubro, atualmente o mais negociado na B3, caía 0,11%, a R$ 5,122. O fator que domina a formação de preços no mercado cambial brasileiro é a corrida presidencial de outubro, após a divulgação de um novo levantamento AtlasIntel/Bloomberg.
Novo levantamento eleitoral muda o humor do câmbio
O levantamento apontou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno. O senador registra 46,4% das intenções de voto, ante 42,6% na pesquisa anterior, enquanto o petista soma 46,2%, contra 47,1% no levantamento prévio. Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os dois estão em empate técnico.
A leitura predominante entre os investidores é de que notícias favoráveis ao senador tendem a favorecer a queda do dólar, uma vez que parte relevante do mercado enxerga a reeleição do presidente como obstáculo ao controle das contas públicas e, por consequência, da inflação. Esse é o pano de fundo que explica o descolamento da moeda brasileira em relação ao comportamento observado no exterior ao longo do dia.
Polymarket reforça percepção de virada eleitoral
Além da pesquisa, os operadores repercutiram as indicações do mercado de predição Polymarket, sediado nos Estados Unidos, onde Flávio passou a superar Lula na preferência das apostas. O senador concentra 52% das apostas de vitória, ante 45% atribuídos ao presidente.
O monitoramento desses mercados de previsão se consolidou como ferramenta complementar para gestores que operam ativos brasileiros, ainda que a liquidez dos contratos seja distinta da observada em pesquisas tradicionais. A sinalização reforça a percepção de mudança de cenário que vem sustentando o recuo da divisa americana frente ao real.
Crise no STF entra no radar do investidor
A crise institucional no Supremo Tribunal Federal também figura entre os temas acompanhados pelos agentes financeiros. Na véspera, o presidente da corte, ministro Edson Fachin, cassou decisões liminares concedidas anteriormente pelos colegas André Mendonça e Flávio Dino, que discutiam a permanência ou não no cargo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Na mesma decisão, Fachin retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news. O movimento adiciona uma camada de incerteza ao ambiente político em um momento de elevada sensibilidade do mercado a sinais sobre a condução institucional do país.
Exterior trabalha na direção oposta
Enquanto o real se fortalece, o dólar avança ante boa parte das demais divisas, em um dia marcado pela alta dos rendimentos dos Treasuries e pelo avanço do petróleo Brent, que superou a marca de US$ 105 o barril. Às 12h05, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas, subia 0,12%, a 98,901.
Mais cedo, os Estados Unidos informaram que os preços ao produtor subiram 0,4% em agosto. Os pedidos de auxílio-desemprego caíram 1.000 na última semana, para 206.000 com ajuste sazonal, ante projeção de 205.000 entre os economistas consultados.
Atuação do Banco Central e o casadão
No início do dia, o Banco Central promoveu dois leilões simultâneos: vendeu US$ 1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos, no valor de US$ 1 bilhão, de swap cambial reverso, operação cujo efeito equivale à compra de dólares no mercado futuro.
As duas operações são conhecidas no mercado como casadão e têm como objetivo dar liquidez ao sistema. O efeito sobre as cotações é, em tese, nulo, já que a autoridade monetária vendeu US$ 1 bilhão em uma ponta e comprou o mesmo montante na outra.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu ainda 50.000 contratos de swap cambial tradicional, em operação voltada à rolagem do vencimento de 1º de outubro.





