Dólar fecha a R$ 5 com maior dissidência do Fed desde 1992
Dólar fecha a R$ 5 com maior dissidência do Fed desde 1992

O dólar à vista encerrou a sessão desta quarta-feira (29) em alta, fechando a R$ 5,0018, com valorização de 0,39%, em um pregão marcado pela decisão de política monetária do Federal Reserve nos Estados Unidos e pela expectativa em torno do Comitê de Política Monetária (Copom) no Brasil.

Fed mantém juros, mas com a maior dissidência desde 1992

O Federal Reserve optou por manter a taxa de juros inalterada, como amplamente esperado pelo mercado. O ponto que chamou atenção, no entanto, foi o nível de divisão interno no comitê: a dissidência registrada foi a maior desde 1992, sinalizando tensão crescente entre os membros do Fed sobre os rumos da política monetária americana.

O racha interno alimentou incerteza nos mercados globais. Investidores passaram a reavaliar o ritmo e o momento de eventuais cortes de juros nos EUA, o que pressionou ativos de risco e impulsionou o dólar em escala global.

Impacto nos mercados emergentes

A combinação de dólar mais forte no exterior e incerteza sobre a política monetária americana pesou sobre moedas de países emergentes, incluindo o real. O movimento reflete a sensibilidade do câmbio brasileiro às decisões do Fed, especialmente em momentos de divergência interna no comitê americano.

Copom no radar: mercado aguarda decisão brasileira

No Brasil, o mercado operou com cautela diante da reunião do Copom, que também ocorre nesta quarta-feira. A expectativa majoritária é de mais um aumento na taxa Selic, em um ciclo de aperto monetário que o Banco Central brasileiro vem conduzindo para conter a inflação.

A proximidade das duas decisões — Fed e Copom — criou um ambiente de dupla incerteza para o câmbio, com investidores preferindo posições mais defensivas ao longo do pregão.

Petróleo sobe, mas não segura o dólar

Apesar da forte valorização do petróleo no mercado internacional nesta sessão, o movimento não foi suficiente para conter a pressão sobre o real. Em geral, a alta do petróleo tende a beneficiar moedas de países exportadores da commodity, como o Brasil. Desta vez, porém, o peso do ambiente externo — liderado pela sinalização do Fed — sobrepôs esse fator positivo.

Contexto técnico do câmbio

O retorno do dólar ao patamar de R$ 5,00 reforça a resistência da moeda americana em ceder terreno frente ao real, mesmo em dias com notícias favoráveis para commodities. O nível psicológico de R$ 5,00 tende a ser monitorado de perto por operadores de câmbio nas próximas sessões, especialmente após a definição da Selic pelo Copom.