A moeda americana encerrou o pregão de sexta-feira em alta de 0,47%, cotada a R$5,1252, depois que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, concedeu prazo de 24 horas para que o ministro André Mendonça retire o sigilo de todos os documentos das investigações do caso Master. A ordem reacendeu a apreensão nos mercados de que novos elementos do escândalo ligado ao filme Dark Horse atinjam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje o principal oponente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa eleitoral pelo Planalto.

Com o fim de semana se aproximando e uma nova rodada de pesquisa eleitoral prevista para a noite, gestores e operadores optaram por compras de proteção, movimento que sustentou a divisa durante toda a tarde e apagou parte do alívio observado nos últimos dias no câmbio. A busca por hedge apareceu justamente em um ano de queda expressiva da cotação frente ao real.

Prazo de 24 horas e os limites da abertura dos sigilos

Fachin acolheu pedido da Procuradoria-Geral da República e concedeu 24 horas para que Mendonça torne públicos os documentos das apurações. A determinação abre apenas uma exceção: informações relativas a diligências ainda em curso, que, se divulgadas antecipadamente, poderiam comprometer o andamento das investigações, permanecem sob restrição.

A decisão amplia o grau de exposição de personagens citados no caso e desloca o horizonte de incerteza para o campo político, dimensão que costuma pesar sobre a formação de preços dos ativos brasileiros. Sem detalhes sobre o teor do material a ser divulgado, o mercado trabalha com cenários abertos, o que tende a elevar a volatilidade intradiária.

Os números da sessão cambial

No fechamento, a cotação à vista avançou 0,47%, a R$5,1252. No intervalo semanal, a divisa cedeu 0,09%, enquanto no acumulado do ano a retração chega a 6,63%. O dólar comercial foi negociado a R$5,124 na compra e a R$5,125 na venda.

No mercado futuro, o contrato com vencimento em outubro, atualmente o de maior liquidez na B3, registrava ganho de 0,36%, aos R$5,1460, por volta das 17h04. O prêmio em relação ao segmento à vista reflete a demanda por proteção para os próximos vencimentos.

O elo entre o caso Master e a corrida presidencial

O caso Master envolve o filme Dark Horse, obra que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar por condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado. Antes da decisão desta sexta-feira, um áudio no qual Flávio Bolsonaro solicita recursos a Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master, para supostamente financiar a produção já havia provocado desgaste na candidatura do senador.

A possibilidade de que o levantamento do sigilo traga a público novos trechos de conversas, documentos e depoimentos é o que alimenta a cautela dos agentes. O mercado eleitoral passou a precificar com mais força o risco de que o episódio altere o equilíbrio da disputa, contaminação que se transmite à curva de juros e ao mercado de câmbio.

Cautela antes do Datafolha e transmissão para DIs e Ibovespa

A divulgação de nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial, programada para a noite desta sexta-feira, funcionou como catalisador adicional de aversão a risco. O diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, avaliou que a combinação entre a pesquisa, a proximidade do fim de semana e a ausência de clareza sobre o que será revelado levou os participantes a se protegerem. Profissionais de outras mesas de operação relataram a mesma percepção.

O movimento não ficou restrito ao câmbio. As taxas dos Depósitos Interfinanceiros zeraram as perdas observadas mais cedo, enquanto o Ibovespa encerrou o dia em baixa, em linha com o aumento da percepção de risco doméstico.