Câmbio e Mercado

Dólar tem baixa e fecha em R$ 5,40 com apostas em corte de juros do Fed

Dólar cai a R$ 5,40 com apostas em corte de juros nos EUA. Entenda como essa dinâmica impacta o câmbio.

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Dólar hoje em queda. Imagem de uma nota de 5 dólares com a bandeira dos EUA, ilustrando a baixa da moeda americana em relação ao real, influenciada pela expectativa de corte de juros pelo Fed.
Nota de dólar em primeiro plano com a bandeira dos Estados Unidos ao fundo, representando a relação entre as moedas e a política monetária do Fed. (Envato)

O dólar registrou uma leve queda e fechou a R$ 5,4062 nesta quinta-feira (28), com o mercado em compasso de espera por um possível corte na taxa de juros americana pelo Federal Reserve (Fed). A expectativa dos investidores por um afrouxamento monetário nos EUA em setembro se consolidou, mesmo após a divulgação de dados econômicos robustos, como o crescimento de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) americano no segundo trimestre, superando a estimativa inicial de 3,0%.

Operadores precificam em 88% a chance de uma redução de 0,25 ponto percentual nos juros já no próximo mês, de acordo com dados da LSEG. Segundo Gesner Oliveira, professor da FGV, o PIB mais forte não foi o suficiente para alterar a visão do mercado, pois “deverá haver uma ligeira redução da taxa de juros nos EUA em 17 de setembro, apesar desse resultado um pouco mais forte”.


Juros mais baixos nos EUA favorecem o real

Juros mais baixos nos Estados Unidos tornam os ativos americanos menos atrativos para investidores internacionais em busca de retornos elevados. Essa dinâmica fortalece o real, já que, com o diferencial de juros entre Brasil e EUA, a moeda brasileira se torna uma opção interessante para alocação de recursos.

O índice do dólar, que mede a força da moeda americana contra uma cesta de seis divisas, também recuou 0,24%, fechando em 97,885. A tese de corte de juros do Fed será testada novamente com a divulgação dos dados de julho do índice de preços PCE, o indicador de inflação preferido do banco central americano.


O mercado doméstico no radar dos investidores

No cenário doméstico, a agenda econômica não apresentou grandes novidades, e os investidores focaram no noticiário político e eleitoral. O mercado reagiu positivamente a uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg que indicou um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em um eventual segundo turno nas eleições de 2026.

Enquanto isso, as negociações entre Brasil e EUA sobre a tarifa de 50% imposta por Washington a produtos brasileiros seguem sem novidades, com o governo do Brasil tentando reverter a medida.


Investimento no Brasil x Investimento Global: uma questão de rentabilidade

Apesar de o real ser favorecido momentaneamente pela expectativa de juros mais baixos nos EUA, o investidor brasileiro precisa ter em mente que o retorno em dólar dos ativos locais é historicamente limitado. Segundo Fábio Murad, CEO da SpaceMoney e criador do método Super ETF, “o investidor que pensa em liberdade de longo prazo precisa considerar onde o dinheiro dele está sendo medido”.

A rentabilidade do CDI, por exemplo, que acumulou 142% em 10 anos, se transforma em apenas 38% de ganho real quando descontada a inflação. E, se convertida para dólar, essa rentabilidade cai para um ganho pífio de apenas 4% na última década. “O mercado americano, além de mais eficiente e transparente, oferece produtos mais acessíveis e com melhor relação risco-retorno. Os ETFs são um exemplo claro disso: diversificação instantânea, alta liquidez, baixo custo e possibilidades operacionais mais amplas”, afirma Murad.


Construindo riqueza em dólar com estratégias inteligentes

Fábio Murad explica que a verdadeira virada de chave está em sair da “defesa” e ir para o “ataque”. O método

Super ETF combina a solidez dos ETFs internacionais com a geração de renda através de operações como a Covered Call. Essa estratégia permite ao investidor vender opções de compra sobre os ETFs que já possui, recebendo um prêmio em troca, o que pode gerar uma receita de 0,5% a 2% ao mês sobre o capital, sem considerar a valorização do ativo.

Além disso, Murad sugere a estratégia de Stock Lending, que permite ao investidor emprestar suas cotas de ETFs a outros traders, recebendo uma remuneração adicional sem perder a posse do ativo. Essa combinação de Covered Call e Stock Lending transforma a carteira em uma “usina de geração de caixa em dólar, com risco travado e alavancagem zero”.

“Não estamos falando de apostas arriscadas ou modismos tecnológicos. Estamos falando de empresas consolidadas, listadas na maior bolsa do mundo, operando sob regras claras e com alta governança”, conclui Murad, ressaltando a segurança e eficiência do mercado americano. A disciplina de reinvestir os prêmios semanais ou mensais é o que permite que os juros compostos transformem pequenos aportes em um patrimônio milionário em dólar ao longo do tempo.