
O dólar encerrou a sexta-feira (9) em queda no mercado brasileiro, mesmo diante de um ambiente externo mais favorável à moeda norte-americana. A divisa fechou a sessão cotada a R$ 5,36, refletindo a reação dos investidores aos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, ao avanço do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul e à divulgação da inflação brasileira.
No fechamento do pregão, o dólar à vista recuou 0,42%. Na semana, a moeda acumulou desvalorização de pouco mais de 1%, em movimento sustentado pelo fluxo financeiro para o país e por fatores domésticos que ajudaram a conter a pressão cambial.
Dados de emprego nos EUA guiam o mercado
O principal catalisador do dia veio dos Estados Unidos. O relatório oficial de emprego mostrou a criação de 50 mil vagas fora do setor agrícola em dezembro, número abaixo das expectativas do mercado. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego caiu para 4,4%, sinalizando resiliência do mercado de trabalho.
A leitura inicial dos dados levou à queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, o que enfraqueceu o dólar frente a diversas moedas. No entanto, ao longo do dia, a avaliação de que o desemprego abaixo do esperado reduz a probabilidade de cortes de juros no curto prazo pelo Federal Reserve fez a moeda americana recuperar força no exterior.
Ainda assim, esse movimento não se refletiu integralmente no mercado brasileiro, onde fatores locais prevaleceram.
Acordo UE–Mercosul reforça o real
No Brasil, o anúncio do avanço do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia ajudou a sustentar a valorização do real. O pacto prevê a eliminação gradual da maior parte das tarifas sobre exportações entre os blocos ao longo dos próximos anos, ampliando o acesso do Brasil a mercados desenvolvidos.
A perspectiva de maior integração comercial, aumento do potencial exportador e melhora da previsibilidade econômica contribuiu para reduzir, ainda que de forma marginal, o prêmio de risco cambial percebido pelos investidores.
Após a confirmação do acordo, o dólar chegou a atingir a mínima do dia, aprofundando as perdas mesmo com a moeda americana mais firme no exterior.
Inflação no Brasil e juros no radar
No cenário doméstico, os investidores também repercutiram os dados de inflação. O IPCA de dezembro apresentou alta acima da registrada em novembro, encerrando 2025 com inflação acumulada próxima do teto da meta. A composição do índice reforçou a percepção de pressão persistente em preços de serviços.
Esse quadro mantém as apostas de que o Banco Central brasileiro seguirá cauteloso na condução da política monetária, com baixa probabilidade de cortes na taxa Selic no curto prazo. O elevado diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos continua sendo um fator relevante de atração de recursos para o mercado local, ajudando a conter movimentos mais bruscos do dólar.
Atuação do Banco Central
Durante a sessão, o Banco Central realizou operações de rolagem no mercado de derivativos cambiais, contribuindo para a estabilidade do mercado e para o ajuste da liquidez.
Com a combinação de dados externos, avanços no comércio internacional e fundamentos domésticos, o mercado de câmbio encerrou a semana com viés mais favorável ao real, embora o cenário siga sensível às expectativas sobre juros globais e ao ambiente geopolítico.