O dólar abriu a sessão desta quinta-feira (10) em alta de 0,14%, cotado a R$ 5,1189 por volta das 9h, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começa a ser negociado às 10h. A sessão combina dois vetores que vêm ditando o humor dos mercados: a divulgação da inflação ao produtor dos Estados Unidos, que deve balizar a decisão de juros do Federal Reserve (Fed) na próxima semana, e a escalada das tensões no Oriente Médio, que empurrou o petróleo de volta ao patamar acima de US$ 100 o barril.
No acumulado, o dólar recua 0,36% na semana, 1,31% no mês e 6,87% no ano. O Ibovespa, por sua vez, avança 0,25% na semana, 4,62% no mês e 15,20% no ano.
Inflação ao produtor dos EUA concentra as atenções
O principal destaque da sessão são os novos dados da inflação ao produtor dos Estados Unidos. Com divulgação prevista para hoje, o indicador deve ser fundamental para a decisão de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na próxima semana, em uma macroeconomia global que já convive com custos de energia em elevação.
A leitura americana chega em um momento de volatilidade adicional nos mercados internacionais. A piora do conflito no Oriente Médio reacendeu a preocupação com a oferta global de petróleo, o que tende a pressionar os preços de energia e, por consequência, os índices de inflação em diversas economias.
Petróleo volta a superar US$ 100 com escalada no Oriente Médio
O petróleo voltou a superar os US$ 100 nesta quarta-feira (9), primeira vez em mais de um mês. A alta da commodity no mercado internacional acompanha o aumento das preocupações com o fluxo de petróleo na região, em um conflito entre Estados Unidos e Irã que já dura seis meses.
Perto das 9h desta quinta, o barril do Brent, referência internacional, subia 0,79%, cotado a US$ 102,01. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, avançava 1,17%, a US$ 97,17 o barril. Na véspera, o petróleo havia voltado a ultrapassar os US$ 100 após o exército americano destruir cinco petroleiros iranianos em retaliação a uma tentativa de ataque a um navio de guerra dos Estados Unidos.
Mar Vermelho vira rota crítica para o escoamento
Nesta semana, ataques dos Houthis, grupo apoiado pelo Irã, atingiram instalações de energia na Arábia Saudita e provocaram incêndios em estruturas ligadas à produção de petróleo. A ofensiva pode ameaçar os embarques pelo Mar Vermelho, rota que se tornou uma importante alternativa ao Estreito de Ormuz. Antes da guerra, cerca de 20% do comércio mundial de petróleo passava pelo estreito, cujo fluxo foi severamente reduzido desde o início do conflito.
Após os ataques, um porta-voz militar dos Houthis afirmou que o grupo anunciará uma ampla operação em território saudita, sinalizando uma nova escalada da guerra. Na véspera, vários navios petroleiros iranianos ligados à Guarda Revolucionária foram atacados pelos Estados Unidos. Segundo autoridades americanas, a ofensiva foi uma retaliação a uma tentativa do Irã de atingir um navio da Marinha do país.
O aumento das tensões reacende as preocupações sobre a oferta global da commodity, e vários bancos já elevaram suas projeções para o preço do petróleo no mercado internacional. Caso essa estimativa se confirme, a expectativa é que a alta provoque novos aumentos nos custos de energia e pressione a inflação global, o que poderia levar bancos centrais de diversos países a manter ou elevar as taxas de juros.
STF recompõe comando da PF e amplia ruído político
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (9) a reintegração imediata de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF) e de Leandro Almada da Costa à chefia da Diretoria de Inteligência Policial da corporação. A decisão atende a um pedido formulado por Andrei Rodrigues dentro de um processo que já tramitava no STF e ocorre um dia depois de o ministro André Mendonça determinar o afastamento dos servidores.
Dino determinou ainda que os dois oficiais fiquem protegidos contra novas medidas cautelares motivadas pelo regular cumprimento de ordens judiciais. O ministro é relator de um inquérito que investiga o repasse de emendas parlamentares federais a uma produtora responsável pela cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, o filme “Dark Horse”.
O relator afirmou que já havia autorizado a Polícia Federal a acessar a íntegra dos materiais apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo em uma investigação sobre emendas parlamentares destinadas a empresas supostamente responsáveis pela produção do filme. Ao acolher o pedido, Dino ponderou que o afastamento determinado por Mendonça prejudica diretamente o andamento dessa e de outras apurações urgentes sob sua relatoria.
Andrei Rodrigues sustentou ao Supremo que a sua saída do cargo de diretor-geral interfere na organização da equipe responsável pelas investigações, retarda o acesso ao material disponibilizado e compromete a atuação célere da corporação. Dino também ressaltou que a decisão de Mendonça foi tomada a partir de um pedido do Partido Novo, o que considerou juridicamente inviável.
O episódio volta a jogar luz sobre o cenário político, uma vez que Mendonça está no centro de uma disputa com o ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito do Banco Master. Moraes, por sua vez, é um dos principais alvos de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa eleitoral com Lula (PT).
PMS e medidas para combustíveis na agenda doméstica
Na agenda econômica brasileira, o foco fica com a nova Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). A expectativa é que o indicador mostre uma alta de 0,2% no setor na comparação mensal e de 0,1% na relação anual.
O mercado também avalia as novas medidas tributárias e de subvenção anunciadas pelo governo para os combustíveis, tema que ganha relevância justamente em um momento de alta internacional do petróleo e de pressão sobre os preços de energia.
Ásia fecha majoritariamente em queda
Na Ásia, a maioria dos índices encerrou o dia em baixa, à medida que a escalada das tensões no Oriente Médio reacendeu preocupações com os preços do petróleo e com a inflação global. O SSEC, índice de Xangai, perdeu 0,43%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, caiu 0,53%. O Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1,27%.
Entre os demais mercados da região, o Nikkei, do Japão, subiu 0,20%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 0,25%. O câmbio doméstico segue, portanto, sensível tanto à leitura da inflação americana quanto ao comportamento das commodities energéticas ao longo do pregão.





