
O mercado de câmbio doméstico opera em clima de recomposição nesta terça-feira (19). Quem acompanha a cotação dólar tempo real observa uma reversão no movimento da véspera. Após a divisa norte-americana recuar e fechar abaixo do patamar de R$ 5 na sessão anterior, a moeda estrangeira registra valorização frente ao real , impulsionada por novos desdobramentos vindos do exterior e da cena política nacional.
Logo nas primeiras horas de negócios, o mercado mostrou maior aversão ao risco global. Às 10h32, o dólar comercial à vista registrava alta de 0,81%, negociado a R$ 5,038 na venda. No ambiente futuro da B3, o contrato com vencimento para junho — o contrato mais líquido e de maior referência para as negociações no momento — avançava 0,60%, cotado a R$ 5,037. Para fins de balizamento comercial, as taxas de compra e venda operavam estáveis em R$ 5,021 e R$ 5,022, respectivamente.
No fechamento de segunda-feira, a moeda à vista havia acumulado uma desvalorização de 1,34%, cotada a R$ 4,9987.
Tensões no Oriente Médio e declarações de Donald Trump
Lá fora, a terça-feira sinaliza ganhos para a moeda norte-americana contra quase todas as principais divisas globais. O movimento reflete uma correção técnica após o recuo sofrido no dia anterior, quando o mercado reagiu ao adiamento, por parte do presidente dos EUA, Donald Trump, de um ataque militar que estava planejado contra o Irã.
Ainda nesta terça, declarações de Trump trouxeram um misto de cautela e volatilidade às mesas de operação. O mandatário norte-americano afirmou publicamente que há “uma chance muito boa” de se alcançar um acordo com o Irã na seara nuclear. Diante deste cenário geopolítico complexo, o petróleo Brent operava em queda na manhã de hoje, mas sustentava-se em patamares elevados, rodando acima de US$ 110 o barril. O avanço da divisa dos EUA se fez notar não apenas sobre o real, mas também perante outras moedas de países emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.
Pesquisa Atlas/Bloomberg altera dinâmica política nacional
No front interno, a atenção de quem monitora a cotação dólar tempo real divide-se com os novos números da corrida presidencial trazidos pela pesquisa Atlas/Bloomberg. O levantamento coletou as respostas de 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio e apresentou uma margem de erro de 1 ponto percentual.
Os dados do primeiro turno indicam oscilações dentro da margem, mas com distanciamento entre os candidatos:
- Luiz Inácio Lula da Silva: subiu de 46,6% para 47% das intenções de voto.
- Flávio Bolsonaro: recuou de 39,7% para 34,3%.
Nas projeções para o segundo turno, o cenário de distanciamento se repetiu. O presidente Lula avançou de 47,8% para 48,9%, enquanto o senador Flávio Bolsonaro registrou uma queda de 47,8% para 41,8%.
Analistas e operadores de mercado associam a perda de ritmo do senador às notícias recentes veiculadas pela imprensa sobre suas relações financeiras privadas com Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco Master. A primeira reportagem foi publicada na tarde de 13 de maio pelo site Intercept. O parlamentar, por meio de nota oficial, rechaçou qualquer tipo de irregularidade e justificou ter buscado recursos estritamente privados para a produção de um documentário focado na trajetória de seu pai, sem promessa de vantagens em contrapartida.
Intervenção do Banco Central e depoimento de Galípolo no Senado
Para garantir a liquidez do mercado de câmbio e suavizar as pressões sobre a cotação dólar tempo real, o Banco Central do Brasil programou para as 11h30 a realização de um leilão de swap cambial tradicional. A operação prevê a oferta de até 50.000 contratos regulatórios com o objetivo de rolar os vencimentos previstos para o próximo dia 1º de junho.
Em paralelo, a agenda institucional do dia mantém os investidores em compasso de espera. O presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, comparece nesta manhã a uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. Entre os pontos de debate previstos no colegiado, Galípolo deve ser interpelado pelos parlamentares a respeito dos desdobramentos e impactos do chamado escândalo do Master no sistema financeiro.





