O cooperativismo brasileiro caminha para alcançar 30 milhões de participantes e um giro anual perto de R$ 1 trilhão, segundo análise do jornalista José Luiz Tejon sobre as forças de entropia e sintropia na vida humana e nas organizações. No mundo, o modelo é descrito como a maior estrutura empresarial coletiva do globo, capaz de impulsionar prosperidade e afastar miséria, pobreza e fome.

Tejon parte de duas leis universais. A entropia estaria ligada à desordem e à destruição; a sintropia, ao impulso de criação. Choques entre galáxias e explosões de estrelas exemplificam a primeira, enquanto o nascimento do cosmos que conhecemos a partir do big bang mostraria a segunda. O autor transporta essa dualidade para o comportamento humano e pergunta se cada indivíduo atua como agente de dispersão ou de construção.

Na biologia, o texto lembra que o ser humano tem perto de 21 mil genes, mas carrega genes bacterianos em escala de milhões. Somente 2% das bactérias seriam malignas; 98% seriam benéficas. A conclusão proposta é que o mal avança quando o bem não impede sua proliferação. Para o autor, a Terra é boa e suas mutações são previsíveis por milênios; o problema estaria na desorganização humana, na ausência de planejamento coletivo e em tentações egocêntricas.

Nas organizações, o autor vê a polarização global como sinal de avanço entrópico. No século 21, países seguem promovendo ataques com bombas e aeronaves não tripuladas contra populações, enquanto líderes de nações ricas usam a internet para espalhar propaganda de ambições mesquinhas, desinformação e notícias falsas. Em contraponto, o cooperativismo é apresentado como cooperação criadora: segue leis, regras, compliance e princípios democráticos, e exige lideranças transparentes, comprometidas com o longo prazo e avessas ao risco.

O artigo sustenta que onde há uma cooperativa sólida surgem prosperidade e alívio para miséria, pobreza e fome. A pergunta final é pessoal: cada um precisa saber se age na construção ou na dispersão, decisão que começa na família e na formação. Ao final, Tejon afirma que o trabalho afasta a postura de vítima.