Os preços do petróleo registraram alta de mais de 4% na última sexta-feira (17) e atingiram o maior patamar em mais de um mês, refletindo o agravamento do conflito militar entre Estados Unidos e Irã no Golfo Pérsico. A escalada ocorre após o colapso do cessar-fogo que vigorou por uma semana, com os dois lados intensificando ataques contra alvos militares e civis. A pressão sobre o fornecimento global de energia aumentou, especialmente com ameaças ao Estreito de Ormuz, rota de cerca de um quinto do petróleo mundial.

Mobilização militar e retaliações

Na madrugada deste sábado (18), a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter atingido alvos americanos no Kuwait, Bahrein e Jordânia. Segundo comunicado do órgão militar iraniano, um centro de apoio militar no Campo Arifjan e uma instalação de radar na Base Aérea de Ali Al Salem, ambos no Kuwait, foram destruídos. A base aérea de Sheikh Isa, no Bahrein, e um centro de dados de inteligência também teriam sido atacados, com a destruição de dois caças americanos e outras três aeronaves na base de Al Azraq, na Jordânia. As informações não puderam ser verificadas por fontes independentes até o momento da publicação. A Guarda Revolucionária justificou as retaliações como uma resposta à “selvageria” americana, citando um mandamento do Alcorão que prega revidar ataques na mesma medida.

Em resposta, os Estados Unidos completaram o sétimo dia consecutivo de bombardeios contra alvos iranianos. O Comando Central das Forças Armadas americanas informou ter atingido sistemas de vigilância, infraestrutura logística militar, depósitos subterrâneos de armas e instalações marítimas do Irã. As ofensivas ocorrem uma semana após o rompimento do cessar-fogo, e a Casa Branca, sob a administração de Donald Trump, ameaça expandir as operações para além dos ataques aéreos, sem descartar uma incursão terrestre contra a costa ou ilhas iranianas.

Impacto no mercado de petróleo e riscos de desabastecimento

A escalada dos confrontos tem pressionado diretamente os preços da commodity. Na sexta-feira, o barril de petróleo subiu mais de 4% e registrou o maior valor desde abril, segundo dados de mercado. O temor de interrupções no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do abastecimento global, acendeu alertas em refinarias e governos dependentes das importações da região. O Irã já iniciou ataques contra embarcações que, segundo Teerã, violam suas regras de navegação, enquanto os EUA impõem bloqueio naval na região.

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Analistas de mercado apontam que a continuidade dos ataques pode levar a um choque de oferta similar ao registrado durante crises anteriores no Oriente Médio. O risco de uma guerra em larga escala, envolvendo aliados regionais e grupos como os houthis no Iêmen, amplifica a volatilidade. O presidente Trump, sob pressão política interna antes das eleições legislativas de novembro, busca demonstrar firmeza, mas a escalada também eleva o custo do combustível para os consumidores americanos e globais.

Consequências para a infraestrutura civil

A infraestrutura civil tornou-se alvo frequente dos dois lados. No Irã, mísseis atingiram instalações de energia e unidades de dessalinização na cidade de Jask, no sul do país, deixando cerca de 10 mil pessoas em 20 vilarejos sem abastecimento de água. No Kuwait, uma usina de geração de energia e dessalinização foi atingida pelo segundo dia consecutivo, conforme informou o Ministério da Eletricidade, Água e Energias Renováveis do país. O Aeroporto Internacional do Kuwait suspendeu operações devido a ameaças contínuas de mísseis e drones.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou preocupação com os ataques à infraestrutura civil no Irã e em toda a região, segundo comunicado de seu porta-voz. Ainda no sábado, ataques na província de Hormozgan, às margens do Estreito de Ormuz, causaram três mortes e oito feridos, além de danos em pontes e túneis. Na sexta, bombardeios americanos atingiram cinco pontes no sul do Irã, resultando em sete mortes no porto de Bandar Khamir, onde uma estação ferroviária também foi danificada. Um aeroporto em Iranshahr também foi alvo.