O InvestNews informa que a disputa fiscal entre cantões suíços está mudando endereços de companhias e de pessoas de alta renda dentro do próprio país. A Suíça reúne 26 cantões, com autonomia para fixar parte dos tributos; municípios também definem alíquotas. Cada unidade federativa funciona como concorrente das vizinhas.

O Vontobel planeja levar a matriz de Zurique para Baar, em Zug, e realocar cerca de 1,5 mil funcionários, em 2030. O banco afirma que a decisão não teve motivação fiscal. Já a SGS saiu de Genebra para Baar neste ano e disse que os ganhos financeiros, com incentivos, dobrariam os de outra unidade em Genebra. Em 2026, Lucerna superou Zug na menor carga corporativa: 11,66% ante 11,71%. Em Zurique, o índice fica próximo de 19%; em Genebra, em torno de 14%. Em Zug, a maior alíquota pessoal chega a cerca de 22%; em Genebra, ultrapassa 40%. Schwyz também atrai ricos. Genebra cortou tributos e negocia um acordo com a Millennium Management.

Custo e paralelo

Daniel Leupi, das finanças de Zurique, declarou ao FT que reduzir de 7% para 6% a alíquota cantonal sobre lucros custaria 150 milhões em francos suíços (quase US$ 183 milhões). Para compensar, seria necessário trazer companhias com aproximadamente 75 mil trabalhadores, mas Zurique não disporia de área para isso. O exemplo mais próximo na região é o Uruguai. Lá, os tributos sobre lucro são nacionais e não há competição entre departamentos. Em 2025, os argentinos receberam 2.545 autorizações de residência permanente do Mercosul, e os brasileiros, 2.403. Desde janeiro de 2026, certos ganhos externos passaram a ser tributados; novos residentes fiscais podem aderir a um período de 11 anos livre de imposto uruguaio sobre ganhos passivos de origem externa, desde que permaneçam mais de 183 dias ou invistam acima de US$ 2 milhões.