Crédito chega a R$ 7,2 tri em março, diz BC
Crédito chega a R$ 7,2 tri em março, diz BC

As concessões de empréstimos no Brasil avançaram 20,3% em março na comparação com fevereiro, enquanto o estoque total de crédito cresceu 0,9% no período, atingindo R$ 7,215 trilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (27).

Crédito livre lidera expansão das concessões

No segmento de recursos livres — aquele em que as condições de empréstimo são negociadas diretamente entre instituições financeiras e tomadores —, as concessões registraram alta expressiva em março. Esse tipo de operação costuma ser o termômetro mais sensível do apetite por crédito na economia, pois reflete decisões tomadas sem vinculação a programas governamentais.

Estoque total segue trajetória de crescimento

O estoque de R$ 7,215 trilhões representa a soma de todos os contratos ativos de crédito no sistema financeiro nacional. O crescimento de 0,9% frente a fevereiro indica que novas contratações superaram as amortizações no período, sinalizando expansão líquida da carteira do sistema bancário.

Contexto macroeconômico e taxa de juros

O avanço das concessões ocorre em um ambiente de juros ainda elevados no Brasil, com a taxa Selic em patamar restritivo. A alta nas concessões em março pode refletir tanto demanda reprimida quanto estratégias das instituições financeiras para ampliar carteiras em determinados segmentos, como crédito consignado e financiamento de veículos.

Sazonalidade e efeito do mês

Março historicamente concentra maior volume de concessões em relação a fevereiro, mês mais curto do calendário. Parte do salto de 20,3% nas concessões deve ser lida à luz desse fator sazonal, o que não elimina, mas modera, a leitura de aceleração estrutural do crédito.

O que os dados do BC indicam para o mercado

O crescimento simultâneo do estoque e das concessões reforça a percepção de que a demanda por crédito permanece resiliente no país, mesmo diante do custo elevado do dinheiro. Para o mercado financeiro, o dado alimenta o debate sobre o ritmo de transmissão da política monetária à atividade econômica real — um ponto central no acompanhamento das próximas decisões do Copom.