
O ouro vive um de seus momentos mais fortes da história recente. Em janeiro de 2026, o metal precioso superou a marca de US$ 5.100 por onça, consolidando-se novamente como um dos principais ativos de proteção em um cenário global marcado por tensões geopolíticas, riscos fiscais e mudanças estruturais no sistema monetário internacional.
A alta não é fruto de um único fator. Pelo contrário: trata-se da convergência entre choques políticos, decisões estratégicas de bancos centrais, desvalorização do dólar e uma mudança clara no comportamento de investidores institucionais.
Tensões geopolíticas reacendem a busca por proteção
O primeiro grande catalisador do movimento foi o aumento das tensões geopolíticas globais. Em janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas de até 25% sobre exportações de países aliados da Otan, incluindo Dinamarca, Noruega, Alemanha e Reino Unido, em meio a novos atritos diplomáticos envolvendo a Groenlândia.
A reação do mercado foi imediata. Poucas horas após os anúncios, o ouro saltou para US$ 4.668, refletindo a corrida por ativos considerados seguros. Nos dias seguintes, com o acúmulo de novas incertezas, o metal rompeu sucessivas resistências até alcançar os US$ 5.100.
Além disso, seguem no radar conflitos ainda sem solução entre Rússia e Ucrânia, tensões crescentes no Irã, riscos de intervenção na Venezuela e até a possibilidade de um shutdown do governo americano. Esse ambiente elevou a aversão ao risco e reforçou o papel do ouro como reserva de valor.
Bancos centrais aceleram compras e reduzem dependência do dólar
Um dos fatores mais estruturais por trás da alta do ouro está nas decisões dos bancos centrais. Desde o congelamento de ativos russos pela União Europeia, diversos países passaram a reduzir a exposição ao dólar em suas reservas internacionais.
O movimento ganhou força em 2025. A média mensal de compras de ouro pelos bancos centrais subiu de 17 para 60 toneladas, com destaque absoluto para a China, que acumulou 14 meses consecutivos de compras até dezembro de 2025.
Atualmente, o ouro já representa quase 20% das reservas globais, superando o euro e os títulos do Tesouro americano, ficando atrás apenas do próprio dólar. Segundo estimativas do FMI, países com menos de 10% de reservas em ouro precisariam comprar cerca de 1.200 toneladas adicionais para atingir esse patamar — mesmo com o metal acima de US$ 5.000 por onça.
Investidores institucionais seguem o mesmo caminho
O movimento dos bancos centrais foi acompanhado por investidores institucionais. Fundos, ETFs e famílias de alta renda ampliaram significativamente sua exposição ao ouro como proteção contra volatilidade macroeconômica e inflação estrutural.
Desde 2025, ETFs ocidentais adicionaram cerca de 500 toneladas de ouro em posições líquidas. O mercado de futuros também mantém expectativas elevadas, com posições compradas em expansão.
Segundo dados do J.P. Morgan, apenas no terceiro trimestre de 2025, bancos centrais e investidores compraram um volume combinado de 980 toneladas, equivalente a aproximadamente US$ 109 bilhões.
Dólar mais fraco e juros em queda favorecem o metal
Outro pilar fundamental da valorização do ouro é o cenário monetário. O dólar acumulou queda de 9% em 12 meses, enquanto o mercado já precifica cortes de juros pelo Federal Reserve ao longo do segundo semestre.
Com juros mais baixos, o custo de oportunidade de manter ouro diminui, já que o metal não paga rendimento. Em contrapartida, sua função como proteção contra inflação, desvalorização cambial e choques sistêmicos se fortalece.
Esse contexto cria um ambiente historicamente favorável para o ouro — exatamente como observado em ciclos anteriores de afrouxamento monetário.
Ouro, ETFs e o investidor de longo prazo
Para o investidor moderno, o movimento do ouro reforça uma tese clássica: diversificação global e proteção patrimonial são pilares de longo prazo.
John Bogle, criador do primeiro fundo de índice, defendia que o investidor deveria buscar ativos eficientes, de baixo custo e com função clara dentro da carteira. O ouro, quando acessado por ETFs globais, cumpre exatamente esse papel: não como aposta especulativa, mas como seguro financeiro.
Segundo Fábio Murad, CEO da SpaceMoney, o erro mais comum do investidor brasileiro é ignorar ativos globais de proteção:
“O ouro não é um ativo de retorno explosivo no longo prazo, mas é um dos melhores seguros financeiros que existem. Em momentos de crise, ele não serve para enriquecer — serve para preservar liberdade.”
Dentro do método Super ETF, o ouro aparece como ativo complementar, ao lado de ETFs de renda, ações globais e estratégias de geração de caixa em dólar.