Daycoval: petróleo tem mais chance de subir
Daycoval: petróleo tem mais chance de subir

O Banco Daycoval avalia que o petróleo Brent apresenta maior probabilidade de alta do que de queda rápida, em meio à persistente incerteza geopolítica no Oriente Médio. A commodity tem sido negociada na faixa de US$ 90 a US$ 100 o barril e segue como principal termômetro de apetite e aversão a risco dos investidores globais.

O cenário do Oriente Médio como fator determinante

Nas sete semanas de conflito envolvendo o Irã, o Brent manteve pressão de alta. A guerra introduziu um prêmio de risco relevante ao preço do barril, dado o peso da região na produção e no escoamento global de petróleo.

Qualquer escalada no conflito pode comprometer rotas de exportação estratégicas, como o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Esse risco estrutural sustenta o patamar elevado da commodity.

Por que o Daycoval vê mais alta do que queda

A análise do Daycoval parte de dois vetores principais: oferta restrita e demanda resiliente. A Opep+ mantém cortes de produção voluntários, reduzindo o volume disponível no mercado. Ao mesmo tempo, a demanda global — especialmente da China e dos Estados Unidos — segue firme, sem sinais de contração expressiva.

Fatores que sustentam o preço

Os cortes da Opep+ retiram aproximadamente 3,66 milhões de barris por dia do mercado. A Arábia Saudita sozinha mantém corte adicional de 1 milhão de barris por dia. Esse desequilíbrio entre oferta e demanda cria um piso técnico para os preços.

O que poderia derrubar o barril

Uma resolução rápida do conflito no Oriente Médio seria o principal catalisador de queda. Outros fatores de baixa incluem uma recessão global abrupta, que reduziria a demanda, ou uma reversão inesperada na política de produção da Opep+. O Daycoval considera esses cenários menos prováveis no curto prazo.

Impacto para os mercados financeiros

O petróleo em patamares elevados pressiona a inflação global, complica a trajetória de corte de juros dos bancos centrais e afeta diretamente moedas de países importadores. Para o Brasil, o nível do Brent influencia os preços dos combustíveis e o resultado da Petrobras, empresa central no mercado de commodities e no Ibovespa.

O Daycoval não descarta volatilidade, mas posiciona o vetor de risco assimétrico para cima enquanto o conflito permanecer sem solução clara e a Opep+ mantiver a disciplina de cortes.