domingo, 28 de novembro de 2021
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Private equity e venture capital

Rodrigo Fiszman

Sócio-fundador e CEO do Grupo Solum

Oportunidades de investimento em setores de baixa concentração ou pulverizados

Há uma enorme gama de oportunidades em setores que não estão representados na bolsa de valores, pelos mais diferentes motivos

24 maio 2021 - 16h17
Oportunidades de investimento em setores de baixa concentração ou pulverizados

Quem analisa as oportunidades de investimento no mercado brasileiro pode ficar frustrado com a baixa diversidade de indústrias e setores econômicos das empresas listadas na Bolsa de Valores. Na verdade, há uma enorme gama de oportunidades em setores que sequer estão ali representados, pelos mais diferentes motivos.

Um dos motivos é que alguns dos setores com mais oportunidades apresentam um elevado grau de pulverização em negócios pequenos. Por conta de fatores estruturais, esses segmentos perderam escala e acabaram por se organizar em muitos negócios pequenos e médios.

Um exemplo disso é o setor de serviços corporativos, como empresas de contabilidade. De acordo com o Conselho Federal de Contabilidade, o Brasil conta com 75,1 mil organizações contábeis. Destas, 9,4 mil são EIRELI, 5,2 mil são MEI e 15,6 mil são Empresários Individuais, ou seja, temos 30,3 mil empresas pequenas com um único sócio.

Outro caso é o da educação básica. Enquanto no ensino superior o maior grupo empresarial do setor detém cerca de 12% dos alunos matriculados no país, no ensino fundamental esse mesmo grupo concentra apenas 0,3% das matrículas da rede privada. Isso mostra que o grau de concentração de mercado na educação básica é muito menor que no ensino superior.

O mesmo fenômeno pode ser visto em diversos outros setores da economia, como clínicas de saúde, agências de comunicação e marketing e outros. 

Para entender como um investidor pode ganhar ao alocar capital nas empresas que estão mudando o jogo em mercados pulverizados, precisamos entender como a disrupção de um setor impacta a concentração de mercado.

A consultoria Kearney, antiga A.T, Kearney, desenvolveu um modelo de análise da dinâmica de concentração conhecida como Merger Endgame. Esse modelo considera a dinâmica de um mercado novo ou transformado em quatro etapas:

1. Abertura ou reabertura: um mercado novo ou sob disrupção apresenta oportunidades para novos entrantes;
2. Platô: o mercado se torna fragmentado com uma elevada quantidade de players;
3. Concentração: a necessidade de ganhos de escala gera estímulos a fusões e aquisições, reduzindo o número de players e, ao mesmo tempo, elevando sua participação de mercado;
4. Dominância: o mercado se estabiliza, com poucos players tendo em mãos uma participação relevante de mercado, e empresas menores explorando nichos.

A oportunidade está em identificar os setores que estão na fase de abertura ou platô e investir nos negócios com potencial de realizar movimentos interessantes no ciclo de concentração. 

Quando um segmento entra nessa dinâmica, um investidor pode ganhar aportando recursos tanto nos consolidadores quanto nos consolidados. No caso de uma empresa que venha a ser adquirida, a aquisição pode entregar uma valorização na empresa que remunera o investidor. Já no caso de uma consolidadora, as oportunidades estão no crescimento do negócio, com lucros crescentes, ou um eventual IPO no futuro.

Não dá para saber na fase de platô se uma empresa será consolidadora ou consolidada. O que dá para saber é se a empresa tem potencial para crescer e gerar ganhos em qualquer um dos dois cenários, por conta da qualidade da gestão e sua saúde financeira. Seja apostando no consolidador, seja no consolidado, estamos falando em retornos no prazo de anos. Por isso, é preciso olhos muito atentos ao mercado, paciência e perseverança. 

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.

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