terça, 30 de novembro de 2021
Private equity e venture capitalCOLUNA

Private equity e venture capital

Rodrigo Fiszman

Sócio-fundador e CEO do Grupo Solum

Como acessar investimentos em private equity e venture capital

Quando se fala em investimento, a primeira coisa que vem à mente da maioria das pessoas são ações, fundos ou títulos de dívida, como os CDBs. Mas há boas oportunidades de investimentos alternativos

31 março 2021 - 12h23
Como acessar investimentos em private equity e venture capital

Quando se fala em investimento, a primeira coisa que vem à mente da maioria das pessoas são ações, fundos ou títulos de dívida, como os CDBs. Mas há boas oportunidades de investimentos alternativos, nos mercados de private equity e venture capital. 

Private equity((PE) e venture capital(VC) são chamados também de “investimentos alternativos”, para diferenciar dos instrumentos mais tradicionais. Uma das principais diferenças está na liquidez. Quando há investimentos em ações listadas na Bolsa, é possível vendê-las a qualquer momento. No caso do PE, a venda de uma participação societária em uma empresa não é tão simples e rápida, o que significa que o investimento tem baixa liquidez.

Um investidor pode aportar recursos diretamente em uma empresa que lhe interesse. Ele deverá cuidar de todo o processo, desde a procura de uma empresa a ser investida, a análise da situação financeira e das perspectivas de negócios, o instrumento jurídico pelo qual o investimento será realizado. Depois de tudo, é preciso acompanhar a performance da empresa.

Essa abordagem é mais comum quando o investidor tem capacidade de contribuir para acelerar o crescimento da empresa ao compartilhar seu conhecimento e experiência com o empreendedor. É o que o mercado chama de “smart money”, a combinação de recursos financeiros e mentoria de negócios.

Geralmente esse investidor tem uma “tese de investimento”, que define qual o tipo de empresa está buscando. Um executivo que fez carreira recuperando negócios em crise pode, por exemplo, ter como tese investir em empresas em recuperação judicial. Apesar do alto risco, sua experiência pessoal pode fazer a diferença na transformação e recuperação da organização que recebe o investimento.

Por outro lado, investir diretamente em empresas demanda muito tempo e energia do investidor na gestão de seu portfólio. É necessário avaliar constantemente a situação financeira dos negócios, as estratégias de crescimento, e a realização das metas operacionais e financeiras.

Fundos e crowdfunding

Para aqueles que preferem não alocar de forma direta, contando com apoio em pelo menos parte das etapas do processo de investimento, há outros caminhos possíveis.

Um deles é investir por meio de um Fundo de Investimento em Participações (FIP), veículo regulado pela CVM para captar recursos de investidores e aportá-los em empresas de capital fechado. Eles são regulados pelas instruções 578 e 579 da CVM, de agosto de 2016. A Instrução 578 estabelece as regras para constituição e registro de um FIP na CVM. Já a Instrução 579 trata das regras contábeis que os FIPs devem seguir.

A principal vantagem de se investir em um FIP é a gestão profissional. Todo o trabalho de avaliação de ativos para investir, estruturação dos contratos de investimento e monitoramento dos resultados é conduzido pelo gestor do fundo. Em troca, o investidor paga uma taxa de administração que incide sobre o valor investido.

Por outro lado, um investimento em um FIP é algo reservado a investidores qualificados. Muitas das ofertas de quotas de FIP são realizadas com esforço restrito, não são amplamente divulgadas aos investidores. Por isso, quem tem interesse em investir nesse formato precisa ficar atento a Ofertas Públicas de FIPs no mercado ou, caso seja um investidor profissional, entrar em contato com os gestores de fundos regulados pela CVM. Dessa forma, eles terão o investidor no radar quando abrirem a captação de um fundo novo.

Há ainda a oportunidade para investir em empresas pequenas e médias, por meio de plataformas eletrônicas de investimento coletivo, ou equity crowdfunding. Elas são reguladas pela Instrução 588 da CVM, de 2017.

Uma plataforma de investimento coletivo abre campanhas de captação de investimentos em seu website, e nelas o investidor pode realizar aportes em troca de títulos de participação societária (equity) ou de dívida. Existem diferentes plataformas no Brasil, muitas delas concentradas na oferta de participações no segmento de startups.

Um dos maiores desafios de se investir por meio de plataformas de investimento coletivo é o acompanhamento da performance da empresa investida. Por isso, é importante que a plataforma ou a empresa ofereça um canal de relacionamento com os investidores.

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.

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