terça, 17 de maio de 2022
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Jorge Augusto Saab

Sócio da Amazônia Capital.

Você sabe a diferença entre pricing e valuation?

Enquanto o primeiro considera o preço que o mercado está disposto a pagar, o segundo se baseia em fundamentos de longo prazo

24 março 2022 - 15h38
Você sabe a diferença entre pricing e valuation?

O pricing é o modo como os corretores de imóveis determinam o preço de um apartamento. O corretor observa as últimas transações ocorridas na região, utiliza o valor em reais por m2 e ajusta o preço do apartamento por itens específicos, como número de vagas de garagem, estado de conservação e assim por diante. Nessa abordagem, acha-se um preço baseado no que o mercado está ou estaria disposto a pagar pelo ativo.

Ao avaliar um ativo com base no pricing, aceita-se dar preço ou atribuir valor a aspectos muitas vezes abstratos. O mercado de startups de tecnologia já teve exemplos de empresas bilionárias que estão a quilômetros de gerar algum lucro a seus acionistas. O valor enxergado nessas empresas está baseado em métricas como: número de usuários, pageviews, fluxo de visitantes etc.

Ao ter pouco material tangível em mãos (a não ser a expectativa de que o abstrato se torne concreto no futuro), o investidor aposta as suas fichas na possibilidade de encontrar um próximo agente com apetite ainda maior por aquela história e de, assim, liquidar seu investimento com um bom lucro. Esse jogo é mais arriscado e depende, geralmente, de um bigger fool, ou seja, um próximo comprador que pague um preço maior. 

Por outro lado, no valuation o investidor estima o valor justo ou intrínseco de determinada empresa pelos ativos e resultados dela mesma, ou seja, sem levar em consideração o preço que o mercado está disposto a pagar. O investidor busca responder da melhor forma possível algumas perguntas fundamentais para encontrar um valor justo para a ação. Caso as ações estejam sendo negociadas a um preço inferior ao encontrado no exercício de valuation, o investidor compra a ação e espera o mercado convergir para este valor.

Um dos pontos principais de divergência entre as duas abordagens é o tempo que o investidor está disposto a esperar para auferir o retorno. Se o horizonte do investidor é de curto prazo, o valor justo da empresa é algo muito teórico e às vezes até satirizado – frequentemente o preço de Bolsa demora a convergir a ele.

Uma grande parte dos investidores atua na bolsa com essa orientação de curto (ou curtíssimo) prazo. Não vou mais uma vez pregar em defesa do investimento de longo prazo, mas apenas sugerir a esse investidor que tenha sempre em mente que está mais no terreno da aposta do que do investimento. Não é um jogo fácil. É perigoso e pode demolir patrimônio. Sugiro manter uma avaliação honesta dos resultados auferidos e ter a humildade de reconhecer que está destruindo valor para si mesmo e “sair do jogo”, quando for o caso.

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.

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