domingo, 28 de novembro de 2021
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Jorge Augusto Saab

Sócio da Amazônia Capital.

Maior parte do noticiário é ruído

São os fundamentos das empresas que constroem performances consistentes de longo prazo

28 maio 2021 - 17h17
Maior parte do noticiário é ruído

Em nossa reunião matinal diária aqui na Amazônia Capital, estávamos falando nesta semana sobre como o noticiário macroeconômico sempre traz uma série de narrativas que parecem verdades inexoráveis.

Nos Estados Unidos, o “zum-zum-zum” desde o início de 2021 era a escalada inflacionária e o quanto a curva de juros por lá deveria “abrir”, refletindo um novo cenário de juros mais normalizados. O rendimento da treasury de 10 anos abriu o ano a cerca de 0,90% e começou a galopar com a narrativa de que 2% seria piso. Parecia que lá ia chegar, porém poucos meses depois a taxa tem permanecido ao redor de 1,5% e a narrativa toda já perdeu força.

No Brasil, uma das mais barulhentas novelas dos últimos meses era a explosiva trajetória da dívida pública. A dívida bruta/PIB iria superar os 100% eminentemente. Hoje, as revisões têm sido para o lado favorável e os tais 100% já não são mais cogitados para o futuro breve. Claro que não estamos bem, mas o colapso também não está aí.

Taxa de câmbio também é outro tema adorado pelo jornalismo econômico. Quando o dólar se valoriza de R$ 4,80 para R$ 5,50 é uma “certeza” que está fadado aos R$ 6 ou R$ 7. Porém, se o caminho for oposto, pode ter certeza de que a narrativa será de que continuará se desvalorizando. Ficamos sempre presos nesse prolongamento da tendência atual.

Pois bem, na gestão de uma carteira fundamentalista de ações, 99% disso tudo é ruído. Se formos ficar alterando o portfólio ao sabor desse noticiário, todos os dias e semanas, iremos gerar enorme fricção no produto, tomaremos decisões baseadas na confiança ou medo excessivos, compraremos o caro e venderemos o barato. 

Parece discurso batido, mas a verdade é que para construir performances consistentes de longo prazo, temos mesmo é que nos dedicar aos fundamentos das empresas e identificar as oportunidades de investimento que pareçam favoravelmente assimétricas diante disto. Suas receitas, lucros, retornos, decisões de alocação de capital, vantagens comparativas, inovação, marcas, abertura de novos mercados e tudo o mais serão o que realmente poderão fazer dessa jornada chamada “investimento” um evento bem-sucedido. 

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.

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