Menu
Busca segunda, 25 de outubro de 2021
Blue3 - Cotações
Blue3 - Cotações Mobile
Open BankingCOLUNA

Open Banking

Albert Morales

General Manager na Belvo

Open Finance pode incentivar a criação de produtos para trabalhadores de aplicativos

O novo paradigma de troca segura de informações entre as empresas muda a maneira com que as fintechs criam modelos de negócios, levando a um ecossistema financeiro mais inclusivo e democrático no Brasil. 

26 fevereiro 2021 - 16h27
Open Finance pode incentivar a criação de produtos para trabalhadores de aplicativos

Os trabalhadores brasileiros estão aderindo cada vez mais às plataformas de gig economy, ou economia compartilhada, como Uber e Rappi, como fonte de renda. Enquanto isso, muitas fintechs têm se dedicado a criar novos produtos e serviços que atendam às necessidades financeiras desses profissionais, andando lado a lado com o aumento das iniciativas de Open Banking (ou Open Finance, em um sentido mais amplo). Essa combinação deve ajudar a aumentar a inclusão financeira de uma parcela crescente de trabalhadores no país, que muitas vezes são excluídos dos serviços bancários tradicionais. 

Com a pandemia da Covid-19, vimos a popularidade dos apps de serviços de entrega explodir no Brasil. O número de entregadores do iFood quase dobrou e a Rappi atingiu um pico de 300% de crescimento no início da quarentena. Tudo isso se soma ao crescimento registrado em 2019, ano em que os aplicativos Uber, 99, iFood e Rappi tornaram-se, juntos, o maior empregador privado no Brasil. 

O aumento no número de motoristas, entretanto, traz novas problemáticas. Mesmo com a possibilidade de ganhar mais do que um salário mínimo com o trabalho em um app, conseguir comprovar que esse dinheiro é uma fonte de renda ainda é um desafio. E isso dificulta o acesso desses profissionais a uma série de serviços financeiros tradicionais, como empréstimos e crédito. 

Muitas fintechs ao redor do mundo já estão olhando para esse mercado, propondo soluções voltadas às necessidades específicas de quem concentra seus ganhos em aplicativos. Essa tendência é natural também no Brasil, a partir da evolução do Open Banking. No México, onde o modelo já está mais consolidado, startups como a Heru, que oferece seguros, crédito e outros benefícios exclusivamente a trabalhadores de aplicativo, já estão conquistando o mercado.

Como o Open Finance colabora? 

A dificuldade dessas empresas consiste principalmente no fato de esses usuários não terem um vínculo regular com contas de banco tradicionais. No entanto, eles realizam transações financeiras, que ficam registradas nas plataformas digitais em que recebem seus salários, sacam dinheiro e fazem pagamentos. 

O Open Finance permite que as empresas possam coletar essas informações dos aplicativos, ajudando tanto fintechs quanto bancos a terem uma visão mais ampla e realista da atividade financeira real do usuário. 

A criação de novas soluções a partir dessas aplicações pode ser alcançada através de plataformas de APIs, como a Belvo, que conseguem conectar-se às instituições financeiras e fazer a extração, categorização e análise dos dados dos clientes (sempre com a autorização do mesmo). Assim, um novo mundo de benefícios e cobertura se abre para os trabalhadores. 

Essas plataformas representam uma fonte rica e completa de informações sobre a renda desses trabalhadores, de suas necessidades financeiras e de sua elegibilidade para produtos financeiros. Esse novo paradigma de troca segura de informações entre as empresas está mudando a maneira com que as fintechs estão criando modelos de negócios, o que pode levar a um ecossistema financeiro mais inclusivo e democrático no Brasil. 

Por que é preciso começar a pensar nisso desde já? 

O Banco Central do Brasil acaba de abrir a primeira fase para a implementação do Open Banking. Ao final do processo, os participantes poderão compartilhar seus próprios dados (como produtos e serviços oferecidos, taxas, agências, etc.), informações de seus clientes (mediante solicitação) e também aceitar pagamentos iniciados por uma aplicação terceira (como o Whatsapp, por exemplo).

Mesmo que o Brasil ainda esteja em uma fase inicial de adoção de modelos de Open Finance, o país apresenta oportunidades únicas para seu desenvolvimento. Com novos atores digitais, como o Nubank, crescendo rapidamente, um arcabouço regulatório tomando forma e uma população ansiosa para consumir serviços digitais, o cenário está preparado para que um novo ecossistema de compartilhamento de dados floresça. 

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.

Dicas valiosas sobre investimentos e notícias atualizadas,
cadastre-se em nossa NEWSLETTER!

ou fale com a SpaceMoney: 

Baixe nosso app: