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Albert Morales

General Manager na Belvo

Novo crédito: o que está por vir com o Open Finance

Com compartilhamento de dados financeiros, consumidores e empresas terão acesso ampliado a ofertas e instituições poderão oferecer crédito com menos risco

30 maio 2022 - 15h22
Novo crédito: o que está por vir com o Open Finance

Um estudo do Serasa Experian publicado em abril de 2022 estima que, com o Open Finance, 46 milhões de brasileiros poderão ser incluídos no mercado de crédito. Quando se fala de empresas, dados da FGV afirmam que há atualmente uma lacuna de crédito de R$ 166 bilhões para pequenos e médios negócios no Brasil.

Porém, vivemos um período de contradição em relação a este potencial.

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Ao mesmo tempo em que a demanda está maior do que nunca, num contexto econômico em que o acesso ao crédito está mais caro, é natural que bancos sintam menos necessidade de incluir novos clientes à sua base para manter ou aumentar sua receita, ou se tornem mais conservadores em suas ofertas pelo medo da inadimplência  – mesmo que, com uma recessão em vista e em meio a uma crise inflacionária, milhões de brasileiros, tanto novos ao crédito quanto já clientes, precisem mais do que nunca de novas ofertas.

A solução que está ao alcance do mercado para este embrulho no contexto de crédito atual, tanto para fintechs quanto para instituições financeiras já tradicionais no mercado brasileiro, passa diretamente pelo Open Finance. 

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É preciso conhecer melhor o cliente com dados: com isso, é possível fazer ofertas melhores para clientes já existentes, garantir mais segurança na tomada de decisão para as instituições e oferecer acesso para o novo consumidor. 

Indo além dos bureaus

Até hoje, a decisão de oferecer ou não crédito a um cliente é baseada majoritariamente em dados de bureaus e da própria instituição financeira na qual o cliente já está inserido. 

Já tivemos, no Brasil, uma importante evolução graças aos modelos de crédito positivo, mas nosso sistema ainda é bastante limitado porque seu acesso a dados é limitados.

Um banco que operará o financiamento de um bem, por exemplo, ou mesmo uma fintech com oferta de cartões digitais gratuitos, muitas vezes não será o banco principal do cidadão: sem ter acesso ao salário dessa pessoa, seus hábitos de consumo históricos e o que ele paga ou deixa de pagar a cada mês, apenas para citar alguns exemplos, a instituição pode ficar presa a ofertas inadequadas ou conservadoras por medo da inadimplência – ou mesmo optar por não fazê-las, pela falta de informações completas sobre a situação financeira daquele cliente.

Citando mais um caso típico de nossa realidade, ainda temos muitos brasileiros que pagam suas contas por boleto e que, por distração ou imprevistos, acabam perdendo a data limite. Não importa se essa pessoa tem o fluxo necessário para bancar aquele empréstimo: se seu score cair, ela dificilmente será considerada para boas ofertas.

É aí que o compartilhamento de dados do Open Finance tem o potencial de causar uma mudança brusca na maneira como consumimos crédito, e mesmo gerar impacto social através da inclusão financeira e do auxílio a brasileiros endividados.

Com o acesso a estas informações, instituições poderão definir verdadeiros padrões de personas de seus clientes, o que pode ter um impacto direto não apenas na inclusão, mas num próprio ajuste de tarifas: especialmente em ofertas para pessoas jurídicas, é possível enxergar o potencial de taxas de juros variáveis conforme o perfil do usuário.

Para mais detalhes sobre isso, recomendo assistir ao excelente debate sobre o futuro do crédito da conferência Open Views 22, que contou com Leonardo Enrique Silva, Head de Open Banking no Serasa Experian, e Henrique Seije, Data & Analytics na Afinz.

O potencial da preparação para o crédito

Para pessoas físicas, o Open Finance traz possíveis impactos também para quem precisa de ajuda para sair de uma situação de dívida, e atende à demanda crescente por soluções de gerenciamento de finanças pessoais (PFM) que auxiliem na tomada de boas decisões financeiras. 

Imagine que hoje uma pessoa está impossibilitada do acesso ao crédito por estar negativada, com dívidas abertas. A solução para ela sair dessa situação é, muitas vezes, uma nova oferta de crédito mais barata, porque os juros de suas dívidas atuais estão matando suas possibilidades de recuperação. Se a receita dessa pessoa é limitada ao salário, ela até pode conseguir pegar um bico, complementar sua renda, mas apenas isso provavelmente não dará a ela a liqueidez necessária para sair dessa situação e conseguir se organizar.

Com acesso aos dados financeiros deste cliente, será possivel detectar pontos de melhoria e entender com mais clareza o que é o problema do usuário: comparando, por exemplo, seu nível de renda familiar x despesas mensais x taxas de juros de dívidas em relação a outros clientes. 

Assim, abrem-se as portas para uma possível preparação ao crédito: imagine que o banco irá responder à solicitação um cliente e, em vez de recusar seu negócio, poderá apresentar uma contraproposta na qual oferece pontos de preparação para o usuário e a promessa de uma nova oferta após um período determinado ou objetivo financeiro cumprido?

Bancos e fintechs fazem bem ao abrir seus olhos para novas possibilidades de negócios usando os dados de crédito, buscando parcerias com APIs de dados enriquecidos que facilitem esta análise e investindo no desenvolvimento de novos produtos para um nicho mais amplo de consumidores.

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.

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