Poucas métricas digitais traduzem com tanta clareza a concentração de atenção quanto o número de seguidores de uma única conta. No ranking referente a setembro de 2026, os 15 perfis de pessoas físicas mais seguidos no X, plataforma que sucedeu o Twitter, tinham no topo Elon Musk, com 242 milhões de seguidores — volume superior à soma dos dois colocados seguintes, Barack Obama (119 milhões) e Cristiano Ronaldo (114 milhões). A lista exclui contas de marcas e empresas, inclusive o perfil institucional da própria rede, e reúne políticos, músicos, atletas, empresários e personalidades da mídia.
A escala do topo: um dono com mais seguidores do que duas potências somadas
A vantagem do primeiro colocado não é marginal. Musk reúne mais seguidores do que Obama e Ronaldo juntos, uma distância que separa o topo da lista de todo o restante da tabela. Obama, ex-presidente dos Estados Unidos, ocupa a segunda posição, com 119 milhões. Ronaldo, atacante português, é o único integrante do top cinco sem vínculo com a política e também lidera o ranking de seguidores no Instagram, concorrente direto do X.
Logo atrás aparecem Donald Trump, com 112 milhões, e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, com 107 milhões. Nenhuma outra conta listada alcança a marca de 100 milhões. Entre os cinco primeiros, portanto, quatro perfis estão associados à política — três deles ligados à chefia de governo ou de Estado — e apenas um representa o esporte, o que mostra como a disputa por atenção máxima na plataforma se concentra em figuras de poder institucional e em poucos nomes do entretenimento esportivo global.
Como a compra do Twitter redesenhou a hierarquia da plataforma
A trajetória que levou Musk ao primeiro lugar está diretamente ligada à aquisição da empresa. Em abril de 2022, ele lançou uma oferta não solicitada para comprar o Twitter e, no fim de outubro daquele ano, concluiu a operação por um valor reportado de US$ 44 bilhões. Em até cinco meses após o fechamento do negócio, o empresário ultrapassou Obama e assumiu a liderança de seguidores da rede.
A mudança de nome de Twitter para X ocorreu em 2023, no mesmo período em que Musk superou Obama. A nova marca aproximou a plataforma de outros empreendimentos do empresário, como a SpaceX. A gestão também alterou regras e práticas da rede: houve redução da moderação de conteúdo, reintegração de contas antes banidas e direcionamento para amplificação dos próprios posts no algoritmo. No campo operacional, o quadro de funcionários encolheu cerca de 80% nos primeiros meses após a compra, entre demissões em massa e desligamentos voluntários.
Entre os perfis restabelecidos estava o de Donald Trump, 45º e 47º presidente dos Estados Unidos, que havia sido suspenso do Twitter em janeiro de 2021 após os atos de seus apoiadores nos últimos dias de seu primeiro mandato. O presidente em exercício soma 112 milhões de seguidores no X, mas concentra sua atividade principal em uma plataforma concorrente, a Truth Social — um caso em que o tamanho da audiência na rede não se converte automaticamente em uso intensivo do perfil.
Música e entretenimento dominam a faixa intermediária
Abaixo do top cinco, a lista é ocupada sobretudo por artistas. Rihanna chega a 99 milhões de seguidores, o nome mais próximo da barreira dos 100 milhões e responsável por uma audiência equivalente a quase um sexto dos aproximadamente 650 milhões de usuários ativos do X. Na sequência vêm Justin Bieber, com 92 milhões, Katy Perry, com 90 milhões, Taylor Swift, com 84 milhões, e Lady Gaga, com 75 milhões. A concentração de músicos nessa faixa intermediária indica que o alcance da indústria musical, construído em décadas de rádio, turnês e videoclipes, migrou com força para as redes sociais.
O recorde de longevidade de Katy Perry
Além do volume atual de seguidores, a cantora americana detém outra marca relevante do ponto de vista histórico. Katy Perry foi a conta mais seguida do X por mais tempo já registrado, mantendo a liderança por 2.110 dias, do fim de 2013 até ser superada por Obama em 2019. O dado ajuda a dimensionar como a hegemonia dentro de uma plataforma pode durar anos e, ainda assim, ser revertida por mudanças na própria estrutura da rede.
O que a composição da lista revela
Depois do décimo lugar, os números caem de forma gradual. O indiano Virat Kohli, com 73 milhões, e Neymar, com 66 milhões, representam o esporte; Kim Kardashian, com 71 milhões, aparece como personalidade da mídia; Bill Gates, com 65 milhões, é o segundo empresário do ranking; e Selena Gomez, com 63 milhões, fecha a lista como atriz e cantora. Na comparação por perfis, os músicos formam o grupo mais numeroso entre os 15 nomes, seguidos por políticos e atletas, o que reforça a centralidade do entretenimento na formação de grandes audiências digitais.
A leitura conjunta da tabela mostra três padrões estruturais: a concentração extrema no primeiro lugar, a presença decisiva da política entre as maiores audiências e o peso do entretenimento na faixa seguinte. Trata-se de um retrato específico do conjunto de dados referente a setembro de 2026, e não de uma hierarquia permanente, já que a ordem pode mudar conforme a plataforma altera suas regras, seu algoritmo e sua própria gestão. Você pode acompanhar as inovações e as principais notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney.





