Angelina Jolie dando entrevista sobre câncer e preparação dos filhos
Angelina Jolie em evento recente, onde falou sobre a mortalidade e o medo do câncer

Angelina Jolie, que há 13 anos realizou uma dupla mastectomia preventiva após descobrir ser portadora do gene BRCA1, abriu o coração sobre a mortalidade em uma entrevista para a Variety. A atriz, que perdeu a mãe aos 56 anos para o câncer de ovário e nunca conheceu a avó, vítima da mesma doença, revelou que já se prepara para o fim: ‘Já passei da idade em que minha mãe foi diagnosticada. Nunca vivi com a sensação de que teria uma vida longa’. A declaração foi feita para promover o filme ‘Vidas Entrelaçadas’, no qual interpreta uma diretora de filmes de terror diagnosticada com câncer de mama. A relação de Jolie com a doença é antiga e a levou a se submeter a uma cirurgia radical em 2013, mas mesmo assim ela admite que o medo a acompanha. ‘Acho que, por ter perdido minha mãe jovem e nunca ter conhecido minha avó, nunca vivi com a sensação de que teria uma vida longa’, afirmou durante a conversa.

O histórico familiar de câncer

Angelina Jolie carrega um dos legados mais pesados de Hollywood: a perda precoce da mãe, Marcheline Bertrand, que faleceu em 2007 aos 56 anos em decorrência de um câncer de ovário. A avó materna também foi ceifada pela mesma enfermidade, o que fez com que a atriz nunca tivesse a certeza de um futuro longo. ‘Nunca vivi com a sensação de que teria uma vida longa’, desabafou, revelando que a sombra da doença a acompanha desde jovem. Esse contexto familiar a levou a fazer o teste genético que confirmou a mutação BRCA1, associada a altas chances de desenvolver tumores de mama e ovário. A atriz, então, optou pela mastectomia bilateral em 2013, procedimento que compartilhou abertamente com o mundo em um artigo emocionante no New York Times.

O impacto desse histórico vai além da saúde. A vivência precoce com o luto moldou sua visão de mundo e sua carreira. Em diversas entrevistas, Jolie já mencionou que a morte da mãe a impulsionou a aproveitar cada momento e a se envolver em causas humanitárias. Agora, aos 51 anos (em 2026), ela enxerga que já ultrapassou a idade do diagnóstico da mãe, o que torna suas reflexões ainda mais pungentes. ‘Estou em um território desconhecido’, disse, deixando claro que cada ano a mais é um presente imprevisto.

A cirurgia preventiva e os reflexos na carreira

A decisão de Angelina Jolie de remover as mamas preventivamente em 2013 foi um marco na discussão pública sobre o câncer de mama e a prevenção genética. A atriz já havia exibido as cicatrizes em fotos e falado abertamente sobre o procedimento, mas agora, com o lançamento de ‘Vidas Entrelaçadas’, o tema volta à tona de forma ainda mais pessoal. No filme, Jolie interpreta uma diretora de filmes de terror que recebe o diagnóstico de câncer de mama, uma coincidência que ela não ignora. ‘A arte imita a vida, mas eu não esperava que fosse tão literal’, brincou em um trecho da entrevista.

O longa-metragem, dirigido por uma cineasta independente, explora os medos e a resiliência de uma mulher diante da doença. Para Jolie, o papel foi catártico. Ela confessou que cada cena a levava de volta às próprias lembranças do quarto de hospital da mãe e as conversas com os médicos sobre sua predisposição genética. ‘Saber que carrego esse gene é como ter uma sombra constante, mas também me deu a chance de agir e prevenir’, explicou. A atriz reforçou a importância da detecção precoce e do acesso a exames genéticos.

A relação com os filhos e a aceitação da mortalidade

Em um dos momentos mais tocantes da entrevista, Angelina Jolie revelou que já conversa com os seis filhos sobre a possibilidade de sua morte precoce. Mãe de Maddox, Pax, Zahara, Shiloh e os gêmeos Knox e Vivienne, ela não esconde a preparação emocional. ‘Quero que eles estejam prontos para qualquer cenário, por mais doloroso que seja’, disse. A atriz acredita que a transparência é a melhor forma de lidar com o medo. ‘Falar sobre isso tira o poder do medo. Eles precisam saber que eu não vou estar aqui para sempre, mas que o amor que construímos é eterno’.

Essa abordagem franca contrasta com a imagem de diva intocável que muitos têm de Jolie. Nos bastidores, a estrela é conhecida por ser uma mãe dedicada e presente, que leva os filhos em viagens humanitárias e sets de filmagem. A possibilidade de não vê-los crescer completamente é uma angústia real. ‘Não quero que eles passem pelo que passei sem preparação’, afirmou. O testemunho de Jolie abre espaço para uma discussão mais ampla sobre como pais com doenças genéticas lidam com o futuro dos filhos. Para mais histórias do universo das celebridades, confira a seção de celebridades da SpaceMoney.