Alexandre Borges está solteiro, completou 60 anos em fevereiro e vive um momento de destaque na televisão como Ulisses, em “Quem ama cuida”. Fora da ficção, o ator afirma que também quer um novo amor: “Estou buscando um romance nos meus 60 anos”.
Na novela das nove da Globo, Ulisses é um empresário que perde dinheiro em um cassino clandestino e chega a vender sua parte na joalheria para Adriana (Leticia Colin) sem saber que a compradora está por trás de um plano de vingança. Alexandre usa o papel para chamar atenção para o risco das apostas no Brasil: “É inconcebível um país onde o jogo é proibido, como o Brasil, ter uma bet liberada para jogar o quanto quiser”.
Para o ator, a trajetória do personagem escancara o quanto a compulsão pode destruir uma vida e deixar a pessoa vulnerável à manipulação. “A gente vive numa sociedade compulsiva, somos ensinados a vencer a qualquer custo em todas as áreas. Eu nunca caí nessa neura”, afirmou. Ele também comentou a vingança de Adriana na trama: “A vingança pode acabar corroendo o interior da pessoa que a pratica”. E acrescentou: “Nunca tive o desejo de me vingar de ninguém. Eu sempre perdoo e não carrego mágoas”.
Em busca de um novo amor
Na vida afetiva, Alexandre Borges recomeçou depois do fim do casamento com Julia Lemmertz, em 2015, com quem teve Miguel, hoje com 26 anos. Depois da relação de 22 anos, o ator namorou uma fotógrafa portuguesa e, agora, está solteiro. Ele admite sentir falta de dividir o dia a dia com alguém: “Às vezes, eu sinto muita falta de ter alguém, de chegar em casa e ter com quem comentar uma cena legal que fiz”.
“Eu sou pisciano, bem romântico. Vou até a última insistência para ter realmente uma relação com alguém”, disse. Entre os gestos que valoriza, estão bilhetes, flores, jantares, cinema e andar de mãos dadas pela rua.
Envelhecer sem peso
Os 60 anos, completados em fevereiro, são encarados pelo ator como uma virada estrutural. “Sessenta não é só um número. É uma mudança estrutural de vida. Estou aprendendo a ter essa idade”, refletiu. “Quero viajar mais, quero ter menos preocupações com críticas, com comentários que me deixam para baixo. Sigo num aprendizado.”
“Envelhecer é maravilhoso, melhor ainda é sentir sua evolução. Quero ser um velhinho em paz comigo mesmo e não aqueles velhos ranzinzas”, completou. Sobre a aparência, Alexandre afirmou que críticas não o incomodam. Ele disse que chegou a investir em cremes, aparelhos e produtos que estimulam a pele para chegar bem aos 60, mas o convite para viver Ulisses interrompeu a rotina. “Não dá para fazer um cara viciado, que vive desesperado, e se preocupar com a pele”, explicou, reconhecendo que está com rugas e que não é mais o mesmo.
Trajetória de superação
Antes de viver um empresário no horário nobre, Alexandre Borges construiu a carreira em meio a dificuldades. Nascido em Santos, no litoral de São Paulo, vendeu sanduíches naturais e salada de frutas na praia antes de se encontrar no teatro, na capital paulista. Aos 24 anos, foi para Portugal trabalhar como assistente de uma peça, mergulhou na poesia e, em 2011, criou o espetáculo “Poema Bar”, com obras de Fernando Pessoa e Vinicius de Moraes.
O artista também citou as perdas recentes da mãe, Rosa, morta em 2022, aos 83 anos, e do pai, Tanah, que morreu no ano seguinte, aos 82. “Sinto um vazio muito grande porque foi uma parte da minha vida também. Hoje eu não tenho mais ninguém. Isso me faz querer aproveitar mais as coisas, dar mais valor, ser mais humilde e reconhecer que tudo é passageiro. Da dor, tirei a força”, finalizou.





