Os trabalhadores do Banco do Brasil acataram, no fim da tarde de sexta-feira (11), o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) fechado com a instituição, segundo o g1. A aprovação pela maior parte das bases sindicais encerra a greve em boa parte do país, mas a paralisação prossegue onde a proposta foi recusada.

Conforme a Comissão de Empresa (CEBB), que representa os funcionários, o aval veio de bases como Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Campinas, entre outras. Cerca de 18 entidades rejeitaram o texto.

A configuração mudou em relação ao início do movimento. Na quinta-feira (10), a greve havia começado justamente nas bases que tinham recusado a proposta, incluindo Brasília, Rio, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis. Em menos de 24 horas, novas assembleias nessas regiões aprovaram o acordo.

Como cada sindicato decide de forma autônoma, a paralisação não termina em todo o país. Quem aprovou vai assinar o ACT e suspender o movimento. Quem rejeitou segue em greve e defende a reabertura das negociações. Entre as bases ainda mobilizadas estão Angra dos Reis e sindicatos da Bahia. A CEBB informou que não havia o resultado consolidado das 18 entidades que recusaram o acordo, mas a expectativa é de que a maioria permaneça parada enquanto avalia os próximos passos, com novas assembleias previstas para os próximos dias.

A negociação do Banco do Brasil ocorre em dois níveis. As regras gerais da categoria foram definidas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), assinada na quarta-feira (9) entre a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e 245 entidades sindicais. O texto alcança cerca de 414 mil bancários de 171 bancos e prevê reposição integral pelo INPC, aumento real de 0,6% nos próximos dois anos e o mesmo reajuste para vale-alimentação, vale-refeição, PLR e auxílios. A convenção também trata de saúde mental, assédio, desconexão fora do expediente e limites ao monitoramento digital.

No caso específico do BB, a primeira rodada de assembleias teve 39 bases favoráveis e 60 contrárias. Com a rodada desta sexta, o cenário virou. O acordo inclui que a PLR seja creditada em até 72 horas depois de todas as bases assinarem o ACT, um valor de R$ 3 mil destinado ao grupo contemplado pela Campanha de Adimplência 2026 e mudanças nas regras de carreira e remuneração. O texto ainda prevê licença-paternidade de 35 dias, melhorias para pessoas com deficiência, ações afirmativas e o abono da paralisação de 20 de agosto.

A coordenadora da CEBB, Fernanda Lopes, disse que o desfecho foi construído com envolvimento e mobilização da categoria.

Na Caixa Econômica Federal, a situação é distinta: os empregados iniciaram greve nacional na quinta-feira (10) após rejeitar a proposta de ACT. Segundo a Contraf-CUT, a rejeição superou 90% das bases, com o Saúde Caixa entre os principais pontos de discordância. O banco afirmou manter o diálogo aberto e disse que pode retirar a proposta e buscar dissídio coletivo se não houver acordo até o prazo, previsto para esta sexta-feira.