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Com a nova repressão da China sobre as criptomoedas, o que pode acontecer com esses ativos digitais?

Broker da mesa de renda variável da Blue3 afirma que descentralização trazida pelos criptoativos não tem volta, apesar das tentativas de controle de órgãos estatais - que devem persistir

24 setembro 2021 - 14h00Por Lucas de Andrade

A semana se encerra como começou, sendo a China responsável por mais uma forte turbulência no mercado financeiro. Mas, desta vez, o grande susto não veio da gigante incorporadora imobiliária Evergrande. 

De acordo com um comunicado publicado no site do Banco Popular da China (PBoC), as transações feitas com criptomoedas no gigante asiático - a segunda maior economia do mundo - são ilegais e devem ser banidas, assim como a mineração desses ativos.

As reações foram imediatas. Perto das 13:55 de hoje (24), o Bitcoin recuava 3,61%, aos US$ 42.232,0, a Ethereum caía 6,28%, aos US$ 2.906,54, a XRP desvalorizava 5,21%, aos US$ 0,93053 e a Dogecoin apresentava quedas de 5,3%, aos US$ 0,208237.

O que motiva essa decisão?

De acordo com Humberto Virgílio, broker da mesa de renda variável da Blue3, uma das principais alegações que a China encontrou para a medida foi de que o mercado de criptomoedas não tem um fator externo que movimente, de fato, a economia e a faça crescer, “por estar muito mais num caráter especulativo”. 

Ele explica que essa descentralização trazida pelas criptomoedas ao sistema financeiro retira uma parte do poder de intermediação de órgãos reguladores como a norte-americana SEC (U.S. Securities and Exchange Commission), e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), do Brasil, bancos centrais, como o Banco Popular da China, e até mesmo governos.

Além disso, o executivo relembra que a China trabalha para introduzir sua própria versão digital da moeda renmimbi, o que já está em processo e permitiria ao governo central de Pequim controlar todas as suas transações. 

Outro ponto está relacionado a uma grande migração de recursos, que saem do mercado financeiro e passam para o mercado de criptomoedas, o que, segundo o executivo, “dificulta ainda mais o controle e o investimento em crescimento da “economia real” nos países de todo o mundo”.

E, por fim, a mineração. A China contém, hoje, os maiores mineradores de Bitcoin e outras criptomoedas em todo o mundo. Virgílio explica que o país utiliza uma estratégia de dizer que o modelo de mineração dos ativos digitais não é sustentável, mas diz que este argumento não se sustenta.

“A gente consegue entender que, ao longo de todos esses anos, tecnologias foram criadas e outras aprimoradas. O próprio Éter e outras diversas moedas têm aberto mão dessa mineração por outras provas como a de stake - cunhagem - e a de histórico - registro de eventos e transações -, como a blockchain Solana (SOL), que vão abrir mão do uso da capacidade de máquina e de energia elétrica para fundamentar aqueles blocos todos”, diz.

“Em breve, não vai haver mais uma desculpa para os governos falarem que gastam muita energia para fazer o sistema de criptomoedas girar no mundo todo”, conclui.

Histórico de repressões

A mão pesada da China sobre as criptomoedas não foi lançada hoje. O país teme a ocorrência de investimentos “ilícitos” com a tecnologia, visto que a política de seu governo está fundamentada no intervencionismo econômico. 

Em 14 de setembro, a província chinesa de Hebei deu um prazo máximo até o dia 30 para que todos os departamentos do governo verifiquem seus sistemas e encerre qualquer vinculo com a atividade “ilegal” de mineração.

Antes, em junho, o país já havia reprimido mineração dos ativos digitais com a proibição desta atividade em uma província de Sichuan, localizada no sudoeste do país.

No mês anterior, o país proibiu bancos e firmas de pagamento de fornecerem serviços relacionados a transações de criptomoedas.

Maiores riscos ao mercado de criptomoedas

Para Virgílio, não existe maior risco para o futuro das criptomoedas que a fala dos órgãos reguladores. Ele afirma que essa tentativa de interferência vai existir sempre.

“A grande característica no mundo [para o mercado de criptomoedas], hoje, é a descentralização de seus serviços. Aquelas APIs - sigla em inglês para interface de programação de aplicações - abertas, montar sua própria blockchain, entregar algum modelo de utilidade para as pessoas”, diz. 

Apesar das oscilações pessimistas trazidas à essa área, o executivo acredita que as janelas de oportunidades não se fecharam. “Tendo em vista o histórico de banimentos e recuos, a gente vê que abriram-se sempre meios de se fazer novas alocações de investimento”, afirma.

Virgílio afirma ainda ser cedo para falar o quanto a decisão da China impacta, de fato, o mercado de criptomoedas, “mas, com a atualização de Blockchain e demais tecnologias, cada vez mais as pessoas têm independência em relação aos órgãos da ‘economia real’ para fazer ‘o sistema funcionar’”.

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