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Bolsa em queda, é hora de entrar? "Sim, e amanhã também", afirma Pedrolin, da Blue3

Segundo líder da mesa de renda variável do escritório, tensões políticas e Evergrande são as responsáveis pela alta volatilidade na B3, mas isso não é motivo para investidores não comprarem

20 setembro 2021 - 18h52Por Flávio Faria

A semana começou com os investidores roendo as unhas. A tendência de queda que há meses tem dado o tom na B3, a bolsa de valores brasileira, se acentuou nesta segunda-feira (20). O Ibovespa, índice que serve como medidor de desempenho para a renda variável, desde quinta-feira passada vinha se sustentando perto dos 110 mil pontos e hoje deu um mergulho: por volta das 11h, chegou a 107 mil pontos e, no fechamento, apresentou queda de 2,33%, aos 108.843 pontos. Esse foi o patamar mais baixo                    do índice desde novembro de 2020, quando o mercado se recuperava da rasteira monumental dada pela Covid-19 em março. A queda de hoje teve relação direta com a preocupação do mercado com a situação da Evergrande, empresa do setor imobiliário chinês. Clique aqui e saiba mais!

Porém, segundo Antonio Pedrolin, líder da mesa de renda variável da Blue3, embora a queda acentuada de hoje tenha nascido no oriente, o “derretimento” da bolsa dos últimos meses tem berço doméstico: tensões políticas e briga entre os poderes.

No entanto, o broker não aconselha os investidores a vender tudo e fugir da bolsa. Pelo contrário. Segundo ele, agora é uma hora tão boa para entrar quanto qualquer outra. “É hora de entrar. Vai entrar no melhor ponto? Não sei, não existe resposta para essa pergunta. Mas comprar hoje faz sentido? Faz. E amanhã? Também vai fazer. O melhor é não tentar acertar a mosca, que dificilmente vai conseguir. Tem que entrar quando se sentir confortável, estiver confiante e com pensamento em longo prazo”, explica ele.

Confira a entrevista na íntegra:


Em junho, a bolsa chegou ao pico do ano, em 130 mil pontos. Porém, desde então, vem caindo. Hoje ela quebrou a barreira dos 110, chegando a 107 mil pontos no início do pregão. Para onde vai a bolsa, Pedrolin?

Antes de mais nada, temos que separar algumas coisas. De fato, em junho chegamos à máxima histórica de 130 mil pontos e temos visto uma série de fatores que vem derrubando a bolsa.  Não é um fator único. De junho até agora, a gente vinha enfrentando problemas políticos. Porém, passamos pela época do resultado de balanços e a maioria veio muito boa, acima da expectativa, e mesmo assim os preços não “andavam”. Hoje, o preço lucro da bolsa [cálculo de relação entre preço e lucro que mostra se uma ação é vantajosa ou não] está por volta de 8 vezes, mas sempre esteve por volta de 12. De uma maneira simplista, esse é o tempo que demoraria para ter retorno do investimento em bolsa. Ou seja, caiu de 12 para 8 anos. 

E isso é bom, certo?

É excelente. Mas, se o número melhorou, por que está caindo? Por conta do cenário político complicado, disputa entre os poderes, Bolsonaro contra STF, Lira contra Bolsonaro. Essa semana vimos o Temer ajudando o presidente a escrever uma carta conciliadora à nação, o que ajudou a trazer um certo alento. Mas o que está segurando a bolsa é um movimento de tensão política. Nesse ponto é importante colocarmos também outras diferentes influências que a bolsa sofre. Temos visto uma subida forte dos juros, a corrida do Copom para ancorar a inflação, que não é de demanda, mas de escassez. O que isso significa? Que temos visto o IPCA subir, mas não é por conta da alta atividade econômica. Estamos colhendo os frutos do lockdown. É um efeito rebote da pandemia, que parou a atividade industrial. Saiu na imprensa recentemente que semicondutores, uma parte importante da produção dos automóveis, estão em falta. Hoje você não tem como entregar insumos, por exemplo, para as montadoras terminarem os carros, então o preço dos usados está explodindo. Esse hiato que aconteceu na produção fez os preços subirem e agora o Copom vai correr atrás para segurar.

Outro fator importante de se destacar é a crise hídrica. Uma coisa é pensar no nosso universo, que a conta de luz ficará mais cara, mas temos que ver pela ótica empresarial. Se a sua conta vai ficar mais cara, pensa na do empresário que tem centenas de metros de planta produtiva e precisa de energia para manter ela funcionando. Qualquer aumento no quilowatt/hora mexe diretamente com a margem dele.

Por fim, chegamos à Evergrande. Hoje o mercado caiu única e exclusivamente por causa disso. Hoje nem se fala em tensão política, o nome do Bolsonaro não deve nem ter aparecido nos morning calls. Talvez tenha entrado uma discussão sobre precatórios, que ainda está meio quente, mas tirando isso os três poderes do Brasil hoje foram deixados de lado. O hot topic do dia foi a questão chinesa.

É possível já se falar em crise no caso da Evergrande?

É um tema que começou a entrar em voga nos últimos dias e é importante ressaltar que, na China, a questão imobiliária tem questões culturais muito fortes envolvidas. Lá, uma das maneiras de diferenciar os mais abastados dos menos é quem tem mais propriedades, então é um setor importantíssimo. Além disso, tem toda uma cadeia atrás disso, que acaba sendo impactada: bancos que fornecem crédito para os terrenos, consumidor que está na ponta e quer receber seu imóvel, consumo de matéria-prima através das commodities. E aí vem o impacto no Brasil, que é um dos maiores parceiros da China para exportação de commodities. Está cedo para falar em crise, mas acende uma luz amarela.

Com exceção da Evergrande, juros e tensões políticas já eram previsíveis pelo mercado. Por que a bolsa começou a cair agora? O mercado foi pego de surpresa?

Hoje, a questão é a China. À medida em que você tem uma boa gestão e interlocução entre mercado e Ministério da Fazenda e Banco Central, os players do mercado já se posicionam, tirando a volatilidade da curva. Por outro lado, quando acontece de, no final de semana, com o mercado fechado, a empresa levantar a mão e falar que está com problemas para pagar juros da dívida, você cria volatilidade... Porque trouxe um movimento que as pessoas não estavam precificando.  Quando se tem uma notícia que não é esperada acontece isso.

Você acredita que o Ibovespa  pode cair mais, talvez abaixo de 100 mil?

Descer do patamar de 100 mil pontos acho difícil. É importante deixar algo muito claro: esse cenário traz volatilidade? Traz, mas bolsa não representa PIB. Já tivemos anos que o PIB veio zerado e a bolsa dobrou. A B3 é uma reunião muito seleta de empresas bem posicionadas em diversos setores, então quando você fala em bolsa, está falando de empresas que geram caixa, pagam bons dividendos, têm boa governança, produtos finais bons. Não estamos comprando ações do governo Bolsonaro, mas de empresas. Claro que elas vão sofrer com volatilidade do mercado, só que se você confia nessa empresa, ela tem um bom balanço, bom management, é geradora de caixa, de lucro e tem um bom produto final, apesar da volatilidade, a tendência é seu patrimônio crescer sendo sócio dela.

Dá para dizer que alguma empresa ou setor estão blindados contra essa volatilidade?

Blindado é difícil dizer. Acho que essa volatilidade impactará o mercado todo, não dá para excluir uma empresa ou segmento. Ainda mais considerando que o Brasil é um país pautado em commodities. Veja no próprio índice [ibovespa], temos Vale, Petro, JBS, Klabin, Suzano, todas diretamente ligadas à exportação de commodities. Tem outros lidando com outras questões, como bancos com IOF, então é difícil deixar algum player de fora.

Você citou o quanto a bolsa brasileira tem de empresas ligadas às commodities. É possível dizer que o mercado global passa por um “superciclo”? Vale investir em ativos relacionados?

Na verdade, na visão da XP esse superciclo já passou do seu “ponto ótimo” e tende agora a arrefecer e começamos a entrar em empresas de meio ciclo, que reagem a outros fatores da economia, como o cenário doméstico. Não significa que não darão mais resultados; ainda tendem a performar bem, mas quem tem na carteira talvez seja a hora de dar uma reduzida na posição, embolsar um pouco do lucro, se tiver, e começar a aumentar nas empresas de meio de ciclo.

Pode dar um exemplo de quais são essas empresas e setores de meio de ciclo?

Setores como aluguel de carros, aviação comercial, shopping centers, varejistas, atacarejo, entre outros.

Setor aéreo e de shoppings, inclusive, estavam como boas opções para os investidores, por conta da “tese da reabertura”.

Exatamente isso. São empresas de meio de ciclo, que reagem à reabertura da economia, que vão surfar quando todo mundo subir as portas. 

E quem ainda não tem dinheiro na bolsa, está na hora de entrar? Ou melhor esperar para ver o que acontece?

É hora de entrar. Vai entrar no melhor ponto? Não sei, não existe resposta para essa pergunta. Mas, comprar hoje faz sentido? Faz. E amanhã? Também vai fazer. O melhor é não tentar acertar a mosca, que dificilmente vai conseguir. Tem que entrar quando se sentir confortável, estiver confiante e com pensamento em longo prazo.

No geral, a bolsa é para cima. Quando você aloca seu capital em boas empresas, correndo riscos na medida em que você suporta, pode esperar bons resultados no longo prazo. Aí tem uma coisa muito importante: respeitar o seu perfil de investidor. Uma vez que você está correndo um risco que pode correr e que está com apetite para correr, e está confiante de que fez uma boa alocação, pode até sofrer com volatilidade no meio do caminho, mas no médio e longo prazo isso vai te trazer um retorno positivo.

Existe alguma maneira de o investidor que está entrando agora se proteger dessa volatilidade?

Para quem está com medo de comprar agora, vale entrar com uma proteção. Pode, por exemplo, comprar uma put [ instrumento do mercado financeiro que dá ao investidor o direito de vender o ativo por um preço predeterminado. Caso o valor da ação fique abaixo do que ele pagou é só exercer o direito de vender pelo preço de compra. Por outro lado, caso ela se valorize, ele vende a preço de mercado e perde apenas o valor gasto para comprar a opção]. Para quem não quer aplicar em uma ação específica, o que pode ser feito é investir por meio de ETFs, os fundos de índice, como o  BOVA11 [ETF que espelha o Ibovespa e traz rentabilidade proporcional ao desempenho do índice].
 

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