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Projeções

XP: Se a Selic for elevada a 6,25% ao ano, o que pode acontecer com a renda fixa?

Analistas da XP veem dois cenários como os mais prováveis; em ambos, a elevação deverá ser de 1,0 ponto percentual

21 setembro 2021 - 09h35Por Redação SpaceMoney

Entre hoje (21) e amanhã (22), ocorre a sexta reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC) em 2021. Para a decisão, a grande maioria do mercado, assim como os economistas da XP, aguarda um aumento de 1,0 pp, o que elevaria a Selic a 6,25%.

Segundo Camilla Dolle, head de Renda Fixa, e Francisco Lobo, analista de Renda Fixa - ambos da XP -, existem duas grandes possibilidades que o Comitê pode sinalizar ao término da reunião na próxima quarta-feira (22):

Cenário 1: +100 bps; em linha com Boletim Focus

Nesse caso, Dolle e Lobo acreditam que haveria uma comunicação, por parte do Copom, que indicaria que as expectativas do Focus são próximas àquelas que levam a inflação para a meta. Esta sinalização se daria provavelmente através das projeções do Copom em seu cenário-base, que contempla as hipóteses do Focus (as projeções são divulgadas no comunicado pós-reunião).

De acordo com os analistas, essa probabilidade teria menos potencial de movimentar a curva de juros.

“Porém, a leitura da parte do mercado que não concorda com o cenário Focus pode ser de que o Copom terá que rever o cenário mais adiante e elevar mais os juros, como ocorreu em outras momentos este ano. Se isso acontecer, é provável que aumente a inclinação na curva de juros, com o mercado precificando maiores prêmios para o próximo ano”.

E quais ativos se sairiam bem nesse caso?

Em caso de concretização desse cenário, Dolle e Lobo afirmam que os investimentos prefixados e indexados à inflação de prazos mais longos apresentariam desvalorização neste primeiro momento, com elevação nas taxas dos títulos. “Para quem busca alocação em títulos de curto prazo com estes indexadores, poderia representar uma boa oportunidade, uma vez que passariam a pagar remunerações mais elevadas e preços mais baixos”.

Para o curto prazo, com a elevação esperada dos juros, os títulos se valorizariam. Para quem já detém este tipo de ativo, poderia ser uma oportunidade de ganhos de capital.

“De qualquer forma, enxergamos o cenário atual como positivo para alocação nos títulos pós-fixados, que acompanham a taxa de juros, uma vez que a expectativa para a taxa Selic é de elevação em qualquer um dos cenários apresentados”, afirmam os analistas da XP.

Cenário 2: +100 bps; acima do Boletim Focus

Dolle e Lobo acreditam que, caso o “Cenário 2” se concretize, a curva de juros tende a perder inclinação. Assim, o mercado passaria a antecipar uma alta mais intensa de juros no curto prazo, e reduziria a necessidade de ajustes “corretivos” mais à frente. Os prêmios em vértices mais longos da curva se reduziriam, segundo os analistas.

O mesmo movimento aconteceria diante de um cenário menos provável, mas ainda plausível, de elevação em 1,25 pp.

E quais ativos se sairiam bem nesse caso?

Em caso de concretização deste cenário, os títulos prefixados e indexados ao IPCA de prazos mais curtos apresentariam desvalorização, afirmam Dolle e Lobo. “Ou seja, quem buscasse por esses títulos a partir desse movimento, conseguiria rentabilidades mais interessantes para prazos mais curtos, a preços mais baixos em relação ao período pré-Copom”.

Eles explicam que, nesse cenário, com a elevação dos prêmios (taxas) de longo prazo, os títulos de prazos mais longos se valorizariam no mercado secundário, o que resultaria em possibilidade de ganhos de capital para quem já tivesse os títulos e decidisse vendê-los antes do vencimento, para capturar esta possível oportunidade.

Para os títulos pós-fixados, que acompanham a taxa de juros, a visão dos analistas não se altera neste cenário em relação ao “Cenário 1”. “A diferença é de que, em caso de um comunicado mais duro, a expectativa seria de juros ainda mais altos do que aqueles esperados no cenário-base”.

Exemplos de investimentos

Curto prazo (Pré e IPCA+): títulos com vencimento nos próximos 12 meses. No caso de títulos públicos, há as LTNs com vencimento em outubro de 2021, janeiro de 2022, abril de 2022 e julho de 2022. Estes títulos são prefixados, porém não estão disponíveis no Tesouro Direto, e necessitam, portanto, de um intermediário para a compra.

Longo Prazo (Pré e IPCA+): Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2031 e Tesouro IPCA+ 2026.

Há também títulos bancários e de crédito privado atrelados ao IPCA ou prefixados e que podem apresentar comportamento semelhante aos citados para títulos públicos, segundo os analistas da XP.

Pós-fixados: Tesouro Selic 2024, Tesouro Selic 2027, além de LFTs negociadas no mercado secundário. Vale notar, no entanto, que estes títulos podem sofrer oscilações, embora menores do que os prefixados e indexados à inflação. Para reduzir o risco de variações antes do vencimento, Dolle e Lobo recomendam procurar títulos de prazos mais curtos.

O que pode acontecer de diferente?

Os analistas reforçam que, além de os cenários analisados serem apenas expectativas (ainda que com base em observações anteriores), outras forças agem no mercado diariamente e muitas vezes fogem do radar.

E citam exemplos que podem ter efeito sobre a percepção de risco local, como a recente complicação no crédito da gigante chinesa Evergrande ou até mesmo acontecimentos no cenário político-econômico nacional (como a discussão dos precatórios) que podem exaltar ou acalmar os ânimos dos agentes para além do que for decidido na reunião, assim como piora na percepção do risco fiscal.

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