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Avaliação

O que esperar para a renda fixa em setembro e nos próximos meses?

Permanecem no radar dos investidores a evolução da inflação, preocupações fiscais intensificadas pela instabilidade política e a tensão entre os Poderes

09 setembro 2021 - 12h25Por Redação SpaceMoney

Para setembro e ao longo dos próximos meses, Camilla Dolle e Francisco Lobo, analistas de renda fixa da XP, mantêm no radar a evolução da inflação, além de preocupações fiscais, que se intensificaram com a instabilidade política, e a tensão entre os Poderes - o que deve atrasar o andamento de discussões importantes no Senado.

Receios dos investidores que foram os mesmos sentidos tanto em julho, quanto em agosto, de acordo com a avaliação dos analistas. Todas essas dificuldades devem influenciar numa volatilidade relevante nas expectativas de juros, que deve impactar os preços de ativos da renda fixa.

A XP projeta uma sequência de elevações na taxa básica de juros Selic nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC): 100bps em setembro, 50bps em outubro e 50bps em dezembro.

"A tendência de elevação da Selic deve continuar a atrair os investidores para a renda fixa, como temos visto nos últimos meses", afirmam.

Para investimentos de curto a médio prazo, os analistas afirmam preferir em ativos pós-fixados, que acompanharão a esperada elevação na Selic.

"Recomendamos também uma pequena parcela de ativos prefixados, que podem se beneficiar de redução nos juros e inflação esperados em relação à precificação atual na curva", ressaltam.

No caso de investimentos de prazos mais longos, Dolle e Lobo recomendam que investidores prefiram ativos indexados à inflação, possibilitando ganhos reais (acima do IPCA), principalmente frente ao cenário atual de alta dos preços.

Poupança

No mês de agosto, a Poupança apresentou resgates líquidos pela primeira vez desde março, da ordem de R$ 5,5 bilhões.

Apesar do auxílio emergencial ter sido estendido, os longos meses sob a pressão do cenário de covid-19 poderia levar mais pessoas a sacarem recursos da poupança, e contrabalancear os depósitos do benefício (em valor inferior ao inicial).

"Somou-se a isso a inflação elevada, que acumulou alta de quase 9% nos últimos doze meses, comprimindo o poder de compra da população. Acreditamos que o efeito observado no mês de agosto possa ter relação com este cenário", disseram. 

Segundo os analistas, a aplicação nessa modalidade permanece pouco atraente, visto o patamar da taxa Selic em 5,25% combinado ao rendimento da caderneta de poupança de apenas 70% desta taxa.

Tesouro Direto

Os analistas avaliaram essa categoria com base em dados de julho, os últimos disponíveis. No mês, houve captação líquida de R$ 934 milhões.

Segundo o relatório, o principal ativo comprado por investidores foi o Tesouro Selic, seguido de perto pelo Tesouro IPCA+, "o que pode novamente ter sido reflexo das maiores preocupações de investidores com relação à inflação".

E o número de investidores cadastrados no programa cresceu no mês de julho, somou 11,9 milhões - uma evolução de 53% em relação ao mesmo mês de 2020.

O número de mulheres representou 33,1% do total de investidores.

Segundo Dolle e Lobo, o Tesouro Direto se apresenta como uma excelente porta de entrada ao mundo dos investimentos. Sendo assim, o crescimento é um bom indicativo não apenas para esta aplicação, mas para investimentos como um todo.

Rentabilidade

De acordo com o relatório, em agosto, assim como no mês anterior, quase todos os títulos do Tesouro Direto, com exceção do Tesouro Selic, apresentaram desvalorização, como reflexo principalmente da marcação a mercado causada pela abertura da curva de juros.

Dolle e Lobo optaram pela recomendação do Tesouro Selic, para gestão de caixa e reserva de emergência; do Tesouro IPCA+, por ser uma alternativa interessante e mais conservadora (em caso de manutenção até o vencimento) para proteção da carteira contra o efeito da inflação; e do Tesouro Prefixado

"[O Tesouro Prefixado] demonstra ser uma boa opção para investidores que buscam este tipo de remuneração, uma vez que o mercado parece precificar alta de juros mais elevada do que esperamos que ocorra de fato", alegam. "Mantivemos o prazo mais curto por causa das incertezas que ainda se apresentam para prazos mais longos", concluem.

Crédito privado no mercado primário

O estoque de ativos de crédito privado cresceu em agosto de forma geral. Os ativos pós-fixados (que inclui ativos em CDI+) predominam o estoque e foram maioria também em termos de novas debêntures emitidas. Logo em seguida, foi observada a participação de títulos atrelados à inflação.

A emissão de debêntures (incentivadas ou não) atingiu R$ 10,2 bilhões no mês, sendo praticamente metade do mês anterior. O prazo médio das emissões permaneceu inalterado em relação a agosto, em 6,6 anos.

O volume emitido de debêntures incentivadas, com foco em financiamento à infraestrutura e isentas de Imposto de Renda (IR), somou R$ 1,6 bilhão em agosto, sendo apenas emissões do setor de energia (Aliança Geração, CEEE-D, Comgas, Itamaracá Transmissora e Usina Santo Antônio).

Fluxo no mercado secundário

No caso de CRIs, o volume de negociação foi de R$ 5,7 bilhões (vs. R$ 4,5 bilhões em julho), com destaque para MRV.

Para CRAs, o volume negociado foi de R$ 4,2 bilhões (vs. R$ 3,7 bilhões em julho), sendo o principal ativo negociado um CRA da Minerva.

No relatório, Dolle e Lobo destacaram ativos de crédito privado indexados à inflação (IPCA) em que enxergam ter boa relação risco-retorno: CRA Minerva 2028 (CRA021000RX), CRI MRV 2031 (21D0001232), Debênture Movida 2028 (MVLV16) e CRA Vix 2026 (CRA0210012X).

"Ressaltamos que ativos de crédito privado também podem apresentar risco mais elevado e, portanto, boas rentabilidades, sendo uma boa alternativa para quem busca diversificar a carteira", acrescentam.

 

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