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Cimento nas alturas

Sabe o que é inflação de escassez? Está acontecendo agora na construção civil

Valorização do dólar ante o real leva a aumento das exportações e consequente falta de insumos no mercado brasileiro

17 setembro 2021 - 13h15Por Carlos Borges

Está cada vez mais caro construir no Brasil. De acordo com o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), entre janeiro de 2020 e agosto deste ano houve um salto nos valores dos insumos de construção, a maior alta das duas últimas décadas, alcançando 16,98% no geral.

Entre os itens pesquisados, alguns resultados impressionam. No período, tubos de conexão em aço e ferro aumentaram 91%, condutores elétricos subiram 76,1% e o cimento portland comum valorizou teve alta de 27%, por exemplo. O índice é calculado com base em pesquisas realizadas com lojistas de materiais.

Por que os preços não param de subir?

Está caro porque não tem. A inflação se manifesta por três principais causas: alta de demanda, expansão monetária (muito dinheiro) circulando ou escassez, que significa falta de produtos no mercado, que é o caso do segmento de construção civil. No período em que há escassez de oferta de determinado produto, ocorre um reajuste elevado no preço do material.

No caso do setor de construção, Antonio Pedrolin, líder da mesa de renda variável da Blue3, afirma que os principais fatores que motivaram a alta dos custos na construção foram a pandemia do coronavírus e a valorização do dólar ante o real.

“Juntando o cenário de lockdown com a disparada no preço das commodities metálicas e minerais — principais matérias-primas usadas no setor —, alta no dólar, aumento dos projetos residenciais; e a cereja do bolo, que é a demora para a normalização e aumento dos custos de frete internacional fizeram com que a inflação não viesse por aumento da liquidez e do capital em giro na economia, e sim pela falta de insumos para entrega do produto final, causando esse desequilíbrio não por conta do excesso da demanda, mas sim por conta da escassez da oferta”, ressaltou Pedrolin.

Em setembro, a Secretaria do Comércio Exterior (Secex) divulgou que o Brasil exportou mais de 35 milhões de toneladas de minério, a maior quantidade desde setembro de 2020. Esse aumento da demanda externa diminuiu a disponibilidade dos materiais no mercado interno, fator que contribui para a inflação de escassez nos materiais de construção.

Alta demanda, apesar da escassez

Apesar do preço elevado dos materiais, as construtoras não pararam de construir . 

"As construtoras continuam construindo, apesar da inflação, então a demanda por material é muito grande. Estamos com enorme dificuldade para comprar, independentemente do preço, que a cada dia sobem mais. E os fornecedores não estão conseguindo entregar”, explica o engenheiro.

Preço mais alto não é temporário

Pedrolin, da Blue3, aponta que a cultura brasileira não ajusta preços “para baixo”. O que isso significa? Nesse tipo de situação, os valores de determinados produtos aumentam pela escassez. Contudo, quando os materiais voltam a ficar com maior disponibilidade no mercado, o valor que passou a ser praticado por conta da inflação torna-se permanente. “O Brasil não tem a cultura de ajustes de preço para baixo. Ou seja, é muito provável que a partir de agora tenhamos um novo patamar de preços na economia. Alguns setores, como os de alimentos, podem reajustar, mas no geral, veremos um novo degrau de preços”, afirma.
 

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