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"Fan Tokens aproximam torcedor do clube, mas não são bons investimentos", afirma broker da Blue3

Utilizados como fonte de receita em diferentes esportes no mundo, criptoativos já foram utilizados no Brasil pelo Corinthians e Atlético-MG

30 setembro 2021 - 09h45Por Gabriel Coccetrone
Com a pandemia, os clubes de futebol espalhados pelo mundo tiveram que encontrar uma nova maneira de suprir as perdas econômicas causadas pela pandemia da COVID-19. Ausência dos torcedores nos estádios, contratos de transmissão suspensos, redução de sócios-torcedores e a interrupção do matchday (receitas geradas em dias de jogos) foram algumas das consequências imediatas ocorridas dentro do esporte que ajudaram a “emagrecer” os cofres dos clubes.
Em busca de novas fontes de renda que os clubes passaram recentemente a disponibilizar os fan tokens. Barcelona (ESP), Juventus (ITA), Paris Saint-Germain (FRA), Atlético de Madrid (ESP) e Milan (ITA) foram os primeiros times do futebol mundial a apostar na tecnologia blockchain (cadeia de blocos), sistema usado para armazenar e validar informações que foi criado para eliminar a necessidade de um agente intermediário em transações financeiras e é a base de funcionamento das criptomoedas, como o Bitcoin. “Os fan tokens foram inicialmente explorados por meio de uma blockchain, chamada de Chiliz (CHZ). Esses ativos são considerados tokens de utilidade, ou seja, eles têm uma vida útil e, um propósito, que na maioria das vezes é de gerar bonificações para os torcedores que os compra. Eles foram criados como uma forma de agregar mais valor e ‘melhorar’ o que a gente já conhece do programa de sócio-torcedor que os grandes times possuem, oferecendo descontos e conteúdos exclusivos para os associados”, explica Humberto Virgílio, broker da mesa de renda variável da Blue3.

Criptos com propósito

Espécie de criptoativo, os fan tokens já se mostraram uma ferramenta com grande potencial de captação de recursos para os times. Para se ter uma noção dessa potência, um levantamento do jornal britânico The Telegraph apontou que PSG, Juventus, Barcelona, Galatasaray e Manchester City arrecadaram, juntos, mais de R$1 bilhão com a venda de tokens desde que passaram a comercializar os ativos, em meados de junho de 2020.

Recentemente, a modalidade entrou no radar do futebol brasileiro. O exemplo mais recente é o do Corinthians, que aproveitou a semana de seu aniversário (2/09) para vender 850 mil tokens ($SCCP) em cerca de duas horas para torcedores de dentro e fora do país. Como cada ativo foi vendido por US$2 (R$11), a negociação gerou uma receita bruta de US$1,7 milhão (R$8,8 milhões). Esse montante foi dividido igualmente entre as partes (clube e plataforma que viabilizou as vendas), resultando em R$4,4 milhões para cada um. O Atlético-MG também passou vender o criptoativo.

Além de dinheiro, os criptos também fazem o papel de estimular o engajamento dos clubes com os torcedores, isso porque — na maioria das vezes — garantem aos seus proprietários a participação em algumas decisões internas, como escolha de uniformes e designers. Segundo Humberto, “o principal diferencial do ativo é sem dúvidas garantir uma maior aproximação dos torcedores com os jogadores e com o clube, colocando esses fãs como tomadores de decisões, o que acaba gerando uma empatia maior com a torcida e reforçando sua importância para o time”, explica.

Como bônus, no caso do token do Corinthians, por exemplo,  quem comprou teve o direito de escolher, por meio de votação, qual será o próximo ídolo a ingressar no ‘hall da fama’ Alvinegro.

Como os fan tokens são comercializados?

A comercialização é feita pelos próprios clubes, que determinam a data de lançamento, valor inicial e encerramento das ofertas.

“A Chiliz, juntamente de um clube, celebra uma parceria para poder divulgar, comercializar e distribuir esses tokens de utilidade. Feito isso, eles organizam uma espécie de IPO (oferta pública inicial, termo comum do mercado de capitais, quando uma empresa passa a oferecer ações na bolsa de valores) do produto, chamado de FTO (Fan Token Offering). Por meio desse processo é possível comprar esses criptoativos por um preço fixado”, detalha Humberto.

É importante destacar que as FTOs geralmente possuem um período de vigência. As instituições esportivas disponibilizam os ativos para seus torcedores por um curto período de tempo, visando uma meta de arrecadação. Após o vencimento, só é possível negociar esses tokens por meio do marketplace da sócios.com, principal plataforma do gênero no mundo.

O broker da mesa de renda variável da Blue3 explica que “só consegue comprar esses fan tokens quem tiver a criptomoeda da Chiliz (CHZ). Portanto, é preciso converter nossa moeda para conseguir fazer a paridade. Essa criptomoeda só é negociada em outras corretoras descentralizadas, como a Mercado Bitcoin e a Binance, por exemplo”.

É possível ganhar dinheiro com os fan tokens?

Uma dúvida que muitas pessoas têm sobre o assunto é se esse ativo é de fato uma espécie de investimento, no qual é possível obter valorização — como acontece com o Bitcoin e outras criptomoedas — ou se trata-se apenas de uma espécie de ‘ajuda’  para o clube, sem qualquer expectativa de retorno.

Segundo Humberto, se você procura ganhar dinheiro, esse ativo não é uma boa opção. “O retorno é muito mais emocional do que financeiro. Os fan tokens servirão para você ajudar o clube e ao mesmo tempo conseguir alguns benefícios que outros torcedores não conseguirão, como vantagens na compra de ingressos para partidas importantes, descontos em produtos oficiais e o direito de participar de algumas decisões, apenas para isso”, afirma.

Porém, assim como o mercado financeiro, a cotação dos fan tokens é influenciada por questões relacionadas ao cotidiano dos clubes. Um exemplo claro disso ocorreu com o PSG, que ao ter seu nome especulado sobre a possível contratação do atacante Lionel Messi, teve seu ativo ($PSG) valorizado em 200%, batendo seu recorde histórico ao alcançar R$320,23. Hoje, ele é vendido por 46% abaixo daquele valor, por R$175,00. No entanto, se à época você quisesse ter aproveitado o momento de alta para lucrar,  teria que ser de forma “irregular”, negociando diretamente com um terceiro.

“A rentabilidade está muito mais atrelada a uma valorização da criptomoeda, que faz a blockchain funcionar, do que propriamente pelo token, que na prática não gera rentabilidade por ter uma vida útil ”, completa Humberto.

Outros esportes estão aderindo

Além do futebol, os fans tokens também chegaram com tudo em outros esportes, como a NBA, NFL, Fórmula 1, MMA e até e-Sports (esportes eletrônicos). O crescimento se dá por justamente esse ativo ser visto como uma poderosa fonte de receita e divulgação da marca pelas instituições.

“Acredito que pode ser sim uma fonte de receita para os clubes. É um modelo de negócio que pode trazer benefícios para todos os esportes no mundo, com um custo baixo e que não dá muito trabalho”, finaliza Humberto.

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