O Ibovespa ultrapassou os 142 mil pontos, renovando seu topo histórico, em um movimento de alta impulsionado por setores financeiros e de combustíveis, além de otimismo com a economia e as bolsas americanas. A análise técnica aponta para a possibilidade de o índice atingir 150 mil pontos, mas também alerta para a proximidade de uma zona de “sobrecompra”, que poderia levar a ajustes no curto prazo.
Ibovespa renova topo e anima mercado
O principal índice da bolsa brasileira fechou a última quinta-feira em alta de 1,32%, aos 141.041 pontos, depois de atingir a máxima histórica de 142.138 pontos durante a sessão. A ascensão é impulsionada por diversos fatores, como o bom desempenho de ações do setor financeiro e de combustíveis, beneficiadas por uma megaoperação contra o crime organizado. A expectativa de corte de juros no Brasil e nos Estados Unidos, somada ao otimismo com as bolsas americanas e as pesquisas eleitorais para 2026, reforçou o apetite por risco e o movimento de alta.
Desde o suporte em 131.550 pontos, o Ibovespa acumula valorização de 6,00% em agosto e de 17,26% em 2025. A análise técnica confirma a força do movimento comprador, mas a cautela é recomendada. O Índice de Força Relativa (IFR) já opera em faixa elevada, indicando uma possível sobrecompra e abrindo espaço para um movimento corretivo.
Onde o índice pode chegar?
Segundo a análise técnica do especialista Rodrigo Paz, o viés de alta é predominante. Para o Ibovespa manter a tendência positiva, será crucial superar a resistência de 141.563 pontos e, em seguida, o topo histórico de 142.138 pontos. Se o rompimento for confirmado, os próximos alvos projetados são 143.995/144.800 pontos, com um objetivo mais longo em 145.615 pontos.
A análise de médio prazo, no gráfico semanal, mostra que o índice caminha para a quarta semana consecutiva de alta, com uma tendência construtiva clara. A superação do topo histórico de 142.138 pontos no semanal abriria caminho para os 143.980 pontos, depois 146.785 pontos, até alcançar o alvo psicológico de 150.000 pontos.
Ainda que o cenário seja positivo, o investidor que pensa em longo prazo precisa ter atenção com a moeda. Segundo Fábio Murad, CEO da SpaceMoney e criador do método Super ETF, a rentabilidade do CDI no Brasil, quando convertida para dólar, se transforma em apenas 4% em uma década, enquanto o S&P 500 valorizou quase 190% no mesmo período. A diferença entre investir no Brasil e globalmente é a diferença entre se defender da pobreza e construir riqueza de verdade.
Atenção aos suportes em caso de correção
Apesar do forte movimento de alta, os indicadores técnicos sugerem que um ajuste pode ser necessário. Caso o mercado perca força, os suportes imediatos estão localizados em 140.380 e 139.200 pontos. Um movimento de correção mais amplo poderia levar o índice de volta aos 137.900/137.058 pontos e, em um cenário de maior aversão a risco, até os 133.875 ou 131.550 pontos.
Para Fábio Murad, essa volatilidade reforça a necessidade de buscar ativos mais sólidos no exterior. “O investidor que pensa em liberdade de longo prazo precisa considerar onde o dinheiro dele está sendo medido. A moeda fraca, os juros reais decrescentes e a carga tributária tornam o Brasil um país hostil para a acumulação de riqueza no longo prazo”, afirma. Ele ressalta que investir fora, em ativos como ETFs americanos, não é apenas uma alternativa, mas uma necessidade para proteger e multiplicar o patrimônio.