A tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros na última quarta-feira (15) pode ser elevada para 37,5%, caso o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirme a inclusão do Brasil na lista de 54 países considerados ineficientes no combate ao trabalho forçado. A definição sobre a sobretaxa adicional de 12,5% será apresentada na sexta-feira da próxima semana (24), mas o governo brasileiro ainda negocia para evitar a cumulatividade ou obter uma isenção. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, afirmou que as conversas estão em andamento, embora a tendência seja de que a nova cobrança seja universal e sem exceções.

Atualmente, os produtos dos países listados pelo USTR já estão sujeitos a uma tarifa adicional temporária de 10%, prevista na Seção 122 da legislação comercial americana. Esse percentual vigora até o dia 24, quando deve ser substituído pelo acréscimo de 2,5% — que, somado aos 25% já definitivos, totalizaria 27,5%. No entanto, a expectativa do governo brasileiro é que a alíquota final chegue a 37,5% com a inclusão da nova sobretaxa. “A expectativa é que virá para todos”, lamentou o ministro, em referência à abrangência da medida.

Impacto nas exportações brasileiras

De acordo com cálculos do Mdic, a tarifa de 25% já definitiva deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, o equivalente a US$ 7,4 bilhões, com base nos embarques registrados em 2024. Já um relatório da Integra Associados estima que esse percentual seja de 31%, indicando um impacto potencialmente maior sobre a balança comercial. O setor agropecuário, um dos mais expostos, pode sofrer pressão adicional caso a sobretaxa seja confirmada.

O governo Trump justifica a medida alegando que as falhas do Brasil em restringir produtos com trabalho forçado “oneram” o comércio dos Estados Unidos. Além disso, a Casa Branca manifestou incômodo com a relação comercial do Brasil com a China, citando que as exportações brasileiras de carne bovina congelada para o país asiático superaram em muito as norte-americanas, que vêm apresentando tendência de queda. O relatório do USTR sustenta que o trabalho forçado em propriedades rurais ajudou a dobrar as exportações brasileiras de carne para países investigados entre 2015 e 2025.

Reação do governo brasileiro

O governo federal brasileiro contesta a investigação norte-americana e critica as sanções unilaterais. Em documento assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o Itamaraty ressalta que as acusações da Casa Branca podem prejudicar políticas internas de combate ao trabalho escravo. O Brasil adota o conceito de “condição análoga à de escravizado” no Código Penal e mantém a “lista suja” para coibir a prática, argumentando que a cobrança adicional é incompatível com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Enquanto as negociações prosseguem, o mercado acompanha atentamente os desdobramentos, que podem redefinir as relações comerciais bilaterais e impactar diretamente a competitividade dos produtos brasileiros nos Estados Unidos. Você pode acompanhar os indicadores e o mercado de commodities em tempo real aqui na SpaceMoney.