Os contratos futuros do petróleo encerraram a sessão desta sexta-feira, 17 de julho, com ganhos expressivos, impulsionados pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã no Golfo Pérsico e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. O barril do WTI para setembro avançou 4,47%, a US$ 81,78, enquanto o Brent para o mesmo mês subiu 4,59%, cotado a US$ 88,10. No acumulado semanal, as altas foram de 3,58% e 4,59%, respectivamente, refletindo o agravamento das tensões geopolíticas na região responsável por cerca de um quinto do tráfego global de petróleo.
O fechamento do Estreito de Ormuz, anunciado pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), interrompeu o fluxo de cerca de 20 milhões de barris diários de petróleo e derivados. A IRGC declarou que, enquanto os EUA mantiverem ataques a alvos iranianos, não haverá exportação de petróleo e gás da região, e que o controle total do estreito permanece com Teerã. A medida elevou o prêmio de risco nos mercados, com traders precificando uma interrupção prolongada no fornecimento.
Ataque a infraestrutura energética no Kuwait
O governo do Kuwait acusou o Irã de bombardear uma estação de geração de energia e dessalinização de água, causando incêndio e danos a unidades de produção elétrica. A ação foi classificada como violação do direito internacional, da Carta da ONU e de resolução do Conselho de Segurança. O incidente ampliou os temores de que o conflito possa se espalhar para outros países do Golfo, comprometendo ainda mais a estabilidade energética regional.
Paralelamente, o Comando Central dos EUA (Centcom) informou ter destruído a torre de vigilância do Porto de Chah Bahar Shahid Kalantari, no Irã. Segundo os militares americanos, a estrutura integrava uma rede de vigilância marítima ao longo da costa iraniana do Golfo de Omã, usada pela IRGC para monitorar o tráfego de navios. A ação faz parte da estratégia de Washington para neutralizar a capacidade iraniana de controlar as rotas marítimas.
Perspectivas de restrições prolongadas
A consultoria Capital Economics avaliou que a escalada da guerra reforça a perspectiva de recuperação irregular dos fluxos de petróleo, com novos surtos de tensão. Para a empresa, os acontecimentos recentes elevaram significativamente as chances de um cenário mais adverso, com restrições prolongadas à circulação do petróleo. A análise destaca que, mesmo que haja uma trégua temporária, o mercado continuará volátil enquanto persistirem as hostilidades.
Em outro desdobramento, a Axios informou que o governo Trump notificou Israel sobre o envio de dezenas de aviões de reabastecimento adicionais, antes de uma potencial expansão das operações militares contra o Irã. O movimento sinaliza que os EUA preparam uma ofensiva mais ampla, o que pode agravar ainda mais a crise energética global. Você pode acompanhar os indicadores e o mercado de commodities em tempo real aqui na SpaceMoney.





