O avanço da colheita do café no Brasil atingiu 84% da área total estimada para a safra 2026/27 até o dia 5 de agosto, conforme dados da Safras & Mercado. O percentual representa um incremento de seis pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, impulsionado pelo predomínio de tempo seco nas principais regiões produtoras do país. Apesar do ritmo acelerado nas últimas semanas, o índice permanece aquém do registrado no mesmo período de 2025, quando 94% da produção já havia sido retirada das lavouras, e também abaixo da média histórica dos últimos cinco anos, que é de 90%.
O desempenho da colheita tem impacto direto na formação de preços e no escoamento da commodity, especialmente em um cenário de demanda global aquecida e estoques reduzidos. A diferença de dez pontos percentuais em relação ao ano anterior pode indicar atraso logístico e concentração da oferta nos próximos meses, o que tende a pressionar as cotações no mercado físico e futuro. Acompanhar a evolução dos trabalhos de campo é essencial para agentes do setor que buscam antecipar movimentos de oferta e demanda.
Café canéfora praticamente concluído
No segmento de café canéfora, que engloba as variedades conilon e robusta, a colheita está praticamente finalizada, com 99% da produção já retirada das lavouras. O índice está em linha com o observado no mesmo período do ano passado e ligeiramente acima da média histórica de 98% para o período. A conclusão antecipada dos trabalhos no canéfora reflete a maior eficiência operacional nas regiões produtoras, especialmente no Espírito Santo e em Rondônia, onde as condições climáticas favoreceram a maturação uniforme dos frutos.
Esse cenário de oferta já consolidada no canéfora tende a equilibrar o mercado interno, uma vez que a variedade é amplamente utilizada na composição de blends e na indústria de solúveis. Com a colheita encerrada, a atenção do mercado se volta para a qualidade do produto e para os estoques, que devem ser suficientes para atender à demanda até a próxima safra. A estabilidade no fornecimento de canéfora pode, inclusive, amenizar pressões de alta nos preços do café arábica, que ainda enfrenta atraso na colheita.
Arábica avança, mas segue abaixo da média
A colheita do café arábica, por sua vez, apresentou avanço significativo na última semana, alcançando 77% da produção total. As condições climáticas mais secas favoreceram a intensificação dos trabalhos, permitindo que os produtores acelerassem a retirada dos grãos das lavouras. No entanto, o ritmo ainda está abaixo dos 91% registrados na mesma época de 2025 e da média dos últimos cinco anos, que é de 85%. Essa defasagem de oito pontos percentuais em relação à média histórica acende um alerta para possíveis impactos na qualidade do produto final.
O atraso na colheita do arábica pode estar associado a fatores como o escalonamento da maturação dos frutos, que foi influenciado por variações climáticas durante o ciclo, e a necessidade de mão de obra mais qualificada para a colheita seletiva. A concentração da colheita em um período mais curto pode sobrecarregar a capacidade de processamento e secagem, elevando o risco de perdas qualitativas. Para o mercado, isso significa que a oferta de arábica de alta qualidade pode ser mais restrita, o que tende a sustentar prêmios para os lotes superiores.
Impactos no mercado e perspectivas
A diferença entre o ritmo atual e o histórico reforça a necessidade de monitoramento constante das condições climáticas e do andamento dos trabalhos nas próximas semanas. A janela de colheita se estende até setembro, e qualquer interrupção por chuvas pode agravar o atraso e comprometer a qualidade dos grãos. Analistas do setor avaliam que, mesmo com a conclusão da colheita, o mercado deve permanecer atento aos estoques e à demanda internacional, que segue firme, especialmente da Ásia e da Europa.
No cenário macroeconômico, a safra de café tem peso relevante na balança comercial brasileira, e o desempenho da colheita influencia diretamente as projeções de exportação e a geração de divisas. Com a colheita ainda em andamento, as expectativas de produção total para 2026/27 permanecem dentro do previsto, mas a qualidade final do produto será determinante para a competitividade do café brasileiro no mercado externo. Você pode acompanhar as cotações e os principais destaques do agronegócio em tempo real aqui na SpaceMoney.





