Famílias ajustam estratégias de investimento entre renda fixa e variável em cenário de juros elevados

Em um início de ano marcado por juros ainda elevados e expectativas de mudança ainda no primeiro semestre, investidores e gestores de patrimônio passam a lidar com decisões mais sensíveis sobre como equilibrar segurança e crescimento nas carteiras. Dados recentes indicam que o patrimônio aplicado em renda fixa ultrapassou R$ 2,8 trilhões, após crescimento de 20% em um ano, enquanto o mercado acionário apresenta sinais de recuperação diante da expectativa de um ciclo gradual de corte de juros.

O cenário reforça a necessidade de revisar portfólios e tornar mais criteriosas as decisões de alocação, em busca de retornos consistentes sem abrir mão da preservação do capital. Para Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, a inteligência de alocação está diretamente ligada à governança patrimonial e ao planejamento de longo prazo que um Family Office estruturado consegue oferecer.

Estratégia fortalece patrimônio

“O papel do Family Office é conectar decisões financeiras ao planejamento de vida e ao desenho de patrimônio das famílias. Investir bem não significa apenas escolher bons produtos, mas entender o ciclo econômico, a necessidade de liquidez e os objetivos de cada núcleo familiar. Em 2026, o investidor bem assessorado será aquele que enxerga o portfólio como um organismo vivo, que precisa ser ajustado à medida que o cenário muda”, afirma o executivo. Assis reforça que o contexto atual exige clareza para evitar tanto o excesso de conservadorismo quanto a exposição desnecessária ao risco, já que ambos podem comprometer o desempenho ao longo do tempo.

Na prática, a composição ideal da carteira envolve uma diversificação dinâmica entre renda fixa, renda variável e ativos complementares. Títulos pós-fixados e indexados à inflação seguem entre as escolhas mais eficientes, especialmente pela capacidade de capturar o comportamento da curva de juros ainda elevada. Já na renda variável, o ponto de partida está em empresas com geração de caixa sólida e modelos de negócio resilientes, que tendem a se beneficiar em um ambiente de flexibilização monetária. 

Ativos internacionais

Setores ligados a infraestrutura, energia, tecnologia e consumo aparecem como destaques, ao lado de ativos internacionais que ajudam a proteger contra volatilidade doméstica e oferecem novas frentes de crescimento. Fundos multimercados e estruturas de crédito privado também voltam ao radar, sobretudo para investidores que buscam retorno real acima da inflação com mecanismos de proteção. Na avaliação de Gustavo Assis, 2026 será um ano em que disciplina e governança farão mais diferença do que tentativas de prever movimentos pontuais do mercado.

“As famílias que tratam seu patrimônio como uma organização, com regras, processos e revisão periódica, tendem a atravessar ciclos com muito mais consistência. Um Family Office bem estruturado oferece método, proteção e visão ampla, impedindo decisões impulsivas capazes de comprometer anos de construção patrimonial. O que define um bom portfólio não é acertar o momento perfeito, mas ter uma estratégia robusta que funcione em diferentes cenários”, conclui o CEO da Asset Bank.

Ao combinar análise técnica, diversificação e planejamento integrado, o investidor entra em 2026 preparado para transformar previsibilidade em valorização e risco em oportunidade.