Donald Trump e o impacto do TACO Trump nos mercados globais
Donald Trump durante evento internacional em meio à reação dos mercados.

A volta de Donald Trump ao centro do noticiário internacional reacendeu um padrão já conhecido por investidores globais: anúncios agressivos seguidos de recuos estratégicos, movimento que tem provocado forte volatilidade nos mercados e reacendido o chamado “TACO Trump”.

A expressão, usada de forma irônica em mesas de operação, voltou a ganhar força após Trump desistir de impor tarifas comerciais à Europa ligadas à sua retórica sobre a Groenlândia. O recuo foi imediato, e os mercados responderam com alta expressiva nas bolsas globais, após dias de tensão e queda dos ativos de risco .

O que é o “TACO Trump”

“TACO” é o acrônimo de Trump Always Chickens Out, algo como “Trump sempre recua”. O termo descreve um comportamento recorrente observado por investidores desde o primeiro mandato do ex-presidente.

O roteiro costuma seguir quatro etapas bem definidas:

  • anúncio de medidas duras, como tarifas, sanções ou retaliações comerciais;
  • reação negativa dos mercados, com quedas nas bolsas e aumento da volatilidade;
  • suavização do discurso ou adiamento das medidas;
  • recuperação rápida dos ativos de risco.

Esse padrão tem levado parte do mercado a operar com a expectativa de que choques políticos gerados por Trump tendem a ser temporários.

Recuo sobre a Groenlândia impulsiona bolsas

O termo voltou ao radar após Trump abandonar a ameaça de impor tarifas à União Europeia relacionadas à sua pressão geopolítica envolvendo a Groenlândia. A desistência ocorreu depois de forte reação negativa dos mercados, que haviam precificado o risco de escalada comercial.

Com o recuo, futuros de índices americanos subiram, e bolsas globais reagiram positivamente. O Dow Jones havia registrado alta superior a 500 pontos no pregão anterior, em um movimento clássico de alívio após o temor inicial .

Mercado passa a antecipar o recuo

Analistas apontam que o mercado financeiro tem se tornado mais rápido em antecipar esse tipo de movimento. Investidores passaram a “comprar na queda” logo após anúncios mais agressivos, apostando que a pressão econômica forçará uma mudança de postura.

Esse comportamento, no entanto, cria um efeito colateral importante: quanto mais o padrão é antecipado, maior tende a ser o risco de medidas ainda mais extremas para gerar impacto real nos preços, segundo avaliações de economistas e gestores globais .

Dólar, volatilidade e risco político

A reativação do “TACO Trump” também afeta diretamente o câmbio. Movimentos bruscos no discurso elevam a volatilidade do dólar, impactando commodities, moedas emergentes e mercados acionários fora dos Estados Unidos.

O receio central é que o uso recorrente do choque retórico como ferramenta de negociação acabe produzindo crises mais intensas no futuro, caso o mercado deixe de reagir a ameaças iniciais e passe a exigir ações concretas para reprecificar risco.

Leitura de mercado

Apesar da recuperação rápida após os recuos, gestores alertam que o “TACO Trump” não é uma regra fixa. O padrão depende da percepção de que o custo econômico e político das medidas será maior do que o ganho retórico.

Enquanto essa lógica prevalecer, os mercados tendem a seguir reagindo com forte volatilidade a cada novo anúncio, mantendo o risco político como um dos principais vetores de curto prazo para ativos globais.