Barras de ouro com preços próximos de US$ 5.000 por onça no mercado internacional
Barras de ouro ganham destaque com valorização histórica do metal no mercado global.

Os preços do ouro avançaram para níveis recordes nesta semana e se aproximam da marca de US$ 5.000 por onça, impulsionados por um conjunto de fatores que inclui incertezas geopolíticas, queda nos juros globais, compras agressivas de bancos centrais e maior aversão ao risco nos mercados financeiros.

Na terça-feira (21), os contratos futuros do metal precioso subiram 3,7%, encerrando o dia a US$ 4.759,60 por onça, o maior valor já registrado. A alta diária de US$ 171,20 foi a maior da história. Na manhã seguinte, os preços chegaram a superar US$ 4.800, mantendo o movimento de forte valorização.

A disparada ocorre apenas três meses após o ouro ultrapassar, pela primeira vez, o patamar de US$ 4.000 por onça, reforçando o papel do ativo como proteção em períodos de instabilidade.

Busca por proteção contra riscos econômicos

Investidores têm recorrido ao ouro diante de um cenário marcado por tensões políticas, aumento da dívida pública global e questionamentos sobre a condução da política monetária nos Estados Unidos e em outras economias desenvolvidas.

O movimento ganhou força após declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, envolvendo novas tarifas comerciais, pressões sobre o Federal Reserve para cortes de juros e ameaças de retaliação contra países europeus no contexto das negociações sobre a Groenlândia.

Esses fatores reacenderam temores sobre a desvalorização das principais moedas globais, levando investidores a buscar ativos considerados reserva de valor.

Juros mais baixos favorecem o metal

A perspectiva de redução das taxas de juros também tem sido decisiva para o avanço do ouro. Com retornos menores em títulos públicos e aplicações de baixo risco, o custo de oportunidade de manter ouro — que não paga juros — diminui.

Nos Estados Unidos, o volume de recursos alocados em fundos de mercado monetário alcançou US$ 7,7 trilhões no fim de 2025. Analistas apontam que uma migração mesmo pequena desse capital para o ouro pode provocar impactos significativos nos preços.

Estimativas de mercado indicam que, para cada aumento de 0,01 ponto percentual na participação do ouro nas carteiras financeiras privadas dos EUA, o preço do metal pode subir cerca de 1,4%, caso o movimento venha de compras líquidas.

Bancos centrais ampliam compras

Outro fator estrutural por trás da alta é a atuação dos bancos centrais, que vêm ampliando suas reservas em ouro nos últimos anos. Após décadas como vendedores líquidos, essas instituições passaram a comprar ouro de forma consistente desde a crise financeira global.

O movimento se intensificou a partir de 2022, após sanções impostas à Rússia, levando países com relações mais tensas com o Ocidente a reduzir a exposição a ativos denominados em dólar.

Além disso, alguns bancos centrais europeus, como o da Polônia, continuam adicionando ouro às reservas como forma de reforçar a estabilidade de suas moedas.

Ações caras aumentam aversão ao risco

A valorização do ouro também ocorre em paralelo a um cenário de ações consideradas caras, especialmente nos Estados Unidos. Indicadores de valuation sugerem que o mercado acionário está entre os mais caros dos últimos cem anos, atrás apenas do período que antecedeu o estouro da bolha da internet.

O peso excessivo de grandes empresas de tecnologia nos índices amplia a volatilidade. Em um único pregão recente, as principais ações do setor perderam centenas de bilhões de dólares em valor de mercado, reforçando o movimento de diversificação para ativos alternativos.

Tendência de alta ganha força

Analistas destacam ainda que o ouro costuma registrar movimentos prolongados de valorização quando entra em ciclos de alta. Dados históricos mostram que, após anos com ganhos expressivos, o metal frequentemente mantém desempenho positivo no período seguinte.

Em 2025, por exemplo, o ouro avançou cerca de 65%, após já ter subido 27% no ano anterior, reforçando a leitura de que o atual rali pode se estender.