Economia dos Estados Unidos cresce no fim de 2025 impulsionada pelo consumo
Atividade econômica nos Estados Unidos surpreende no fim de 2025 com consumo aquecido.

A economia dos Estados Unidos encerrou o quarto trimestre de 2025 com um ritmo de crescimento acima do previsto, impulsionada principalmente pelo consumo das famílias e pela resiliência do mercado de trabalho. Mesmo diante de inflação persistente, incertezas políticas e receios sobre o aperto monetário, os dados mais recentes apontam para uma atividade econômica mais forte do que o consenso projetava.

A estimativa mais recente indica que o Produto Interno Bruto (PIB) americano pode ter avançado a uma taxa anualizada de 5,3% no último trimestre do ano passado. Caso o número seja confirmado nas divulgações oficiais, o resultado consolida uma retomada consistente após um início de ano marcado por desaceleração e sinais de contração.

Consumo segue forte apesar das incertezas

O principal motor da economia americana continua sendo o consumo. Mesmo com o aumento do custo de vida, juros elevados e preocupações com emprego e tarifas comerciais, os consumidores mantiveram um ritmo sólido de gastos ao longo do segundo semestre de 2025.

Dados recentes mostram que as vendas no varejo cresceram 0,6% em novembro, revertendo a queda registrada no mês anterior. O avanço superou as expectativas do mercado e foi disseminado entre diversos segmentos, com destaque para lojas especializadas, postos de combustíveis e materiais de construção.

O indicador conhecido como “grupo de controle”, que exclui itens mais voláteis e serve de base para o cálculo do PIB, também apresentou alta relevante no período, sinalizando que o consumo contribuiu de forma significativa para o crescimento econômico.

Sistema financeiro indica resiliência das famílias

Os balanços dos grandes bancos americanos reforçam o diagnóstico de uma economia ainda aquecida. As instituições reportaram aumento de lucros e estabilidade nos níveis de inadimplência, inclusive entre consumidores de diferentes faixas de renda.

Segundo executivos do setor financeiro, não há sinais relevantes de deterioração no comportamento do crédito. O endividamento segue sob controle, e não foram observados aumentos expressivos nos atrasos de pagamentos em cartões de crédito ou empréstimos pessoais.

Esse cenário sugere que, apesar do discurso cauteloso captado em pesquisas de confiança, o comportamento real das famílias continua sustentando a atividade econômica.

Confiança não reflete totalmente o comportamento

Pesquisas de sentimento indicam que os consumidores seguem mais cautelosos em relação ao futuro, refletindo preocupações com inflação, política monetária e cenário político. Ainda assim, essa cautela não se traduziu em retração significativa dos gastos.

Indicadores de confiança mostraram leve melhora recente, mas permanecem em níveis historicamente moderados. A divergência entre discurso e comportamento reforça a ideia de que a renda disponível, o mercado de trabalho e o acesso ao crédito continuam oferecendo suporte ao consumo.

Inflação e juros seguem no radar

Apesar do crescimento forte, o cenário não é isento de riscos. A inflação permanece acima da meta, e o custo de vida continua sendo uma das principais preocupações das famílias americanas. Esse fator mantém a política monetária no centro das atenções.

A expectativa do mercado é que a autoridade monetária mantenha uma postura cautelosa, equilibrando o combate à inflação com o risco de desacelerar excessivamente a economia. O ritmo dos juros seguirá sendo decisivo para os próximos trimestres.

Economia mostra força no curto prazo

O conjunto de dados indica que a economia dos Estados Unidos entrou em 2026 com mais força do que muitos analistas previam. O crescimento robusto no fim de 2025, aliado à resiliência do consumo e do sistema financeiro, reduz — ao menos por ora — o risco de uma desaceleração abrupta.

Ainda assim, o cenário permanece sensível a mudanças na política monetária, no ambiente político e nas condições globais. O desempenho dos próximos meses será crucial para determinar se o crescimento atual é sustentável ou apenas um pico pontual dentro de um ciclo mais volátil.